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Divulgação/Benetton Você é racista?

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Você é racista? A discriminação deixa muita gente triste. E, de acordo com a pesquisadora Ana Gabriela Andriani, é na escola que ela se manifesta primeiro
Planeta Sustentável18/11/2009 Manoella Oliveira
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Há algumas semanas, fizemos uma enquete aqui, no Meu Planetinha, perguntando se a cor da pele das pessoas influencia o tratamento que você daria a ela. Ficamos felizes em saber que a maioria dos nossos leitores acha isso uma bobagem, mas alguns internautas ainda pensam que isso é motivo para agir diferente – o que nos deixou muito tristes. E você? Em que grupo está? Se é no segundo, já parou para refletir em sua forma de ver o mundo?

A psicóloga e doutora em Educação, Ana Gabriela Andriani, está na turma dos que acham o racismo um absurdo. E ela sabe o que diz. Conheceu de perto esse problema (que também é crime) quando desenvolveu seu mestrado para investigar as relações que as crianças de uma escola pública da periferia de São Paulo estabeleciam entre si, de acordo com a cor da pele.

“Elas percebiam o racismo e o relacionavam à violência. Acredito que elas consideram uma prática violenta porque elas eram xingadas e isso causa sofrimento”, conta Ana Gabriela. A especialista diz, ainda, que é na escola que as crianças percebem esse tratamento preconceituoso, a partir de comentários mal educados e de péssimo gosto feitos por colegas. “Em casa e em família, como não há esse tipo de desrespeito, elas ficam protegidas dessa realidade ruim”, afirma a psicóloga.

As crianças negras disseram que tentavam não se importar, mas que têm menos amigos por causa do preconceito. Além disso, se sentiam humilhadas, tristes e com raiva. Faz sentido despertar tantos sentimentos ruins em alguém?

“Isso é histórico, uma herança colonial. Com o tempo essa questão da discriminação foi se transformando. Antes, era explícito. Hoje, ninguém se diz praticante, mas acontece”, explica.

O QUE A ESCOLA PODE FAZER?
Na opinião de Ana Gabriela, as escolas preferem não tocar no assunto, por ser polêmico. Mas muito pode ser feito. Uma dica da psicóloga é que os professores e os diretores escolham com cuidado os livros que serão recomendados e usados em sala.

Muitas vezes, os livros reproduzem o preconceito. Por exemplo: mostram uma historinha em que o dono da casa é rico e branco enquanto o empregado é negro.

Outras idéias são dinâmicas de integração da turma, aulas temáticas e teatros podem ser úteis para tornar os colegas cada vez mais unidos e conscientes de que racismo é uma bobagem, um absurdo e um conceito velho. Por que será que isso ainda existe?

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