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Mônica Nunes

velho chico itinerante

Quer navegar pelo Rio São Francisco? Se você estiver em São Paulo, vá ao Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, até o próximo domingo. Lá, o mineiro Ronaldo Fraga mostra, com arte, beleza e poesia, uma deliciosa ‘viagem’ pela cultura do “Velho Chico” – apelido carinhoso dado pela população ribeirinha –, ‘a bordo’ do barco a vapor Benjamin Guimarães. Mas onde quer que você esteja, pode curtir este lindo trabalho pelo site da exposição e também pelas fotos que mostramos aqui
Mônica Nunes  Planeta Sustentável- 22/06/2011
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Desde menino, o estilista-artista mineiro Ronaldo Fraga é apaixonado pelo Rio São Francisco, sua cultura, sua história e suas lendas. Quando escolheu o "Velho Chico" como tema de sua coleção de roupas femininas, para o verão de 2005/2006, não imaginava que seu trabalho de pesquisa daria nisso: a bela exposição que já encantou mineiros, fica em São Paulo até o dia 26/06 e se prepara para aportar no Rio de Janeiro, no segundo semestre. As próximas paradas serão em Recife e Salvador, mas só no próximo ano.

Um ponto importante desse trabalho é o registro do desastre ambiental e cultural provocado pela transposição do rio, da qual nem se fala mais, mas que está documentada em documentários, fotos e vídeos amadores. Aliás, Ronaldo conta que, desde que lançou a exposição em Belo Horizonte, não param de surgir produções de todos os tipos, relacionadas ao rio. Por isso, cada nova montagem terá mais objetos e informações do que as anteriores. 

Vi a exposição de São Paulo três vezes - uma na companhia do artista - e teria voltado outras tantas. A cada visita, a gente nota detalhes que não viu antes e tudo fascina. Vá com seus pais, leve os amigos, indique para a família, os vizinhos, a professora e os colegas. É um super programa para qualquer idade.
Eis uma descrição rápida de tudo o que tem por lá:
- há belas fotos expostas na entrada, além de frases e letras características das culturas ribeirinhas por todo lado; 
- 3 mil peixes multicoloridos feitos de garrafas pet enfeitam o teto;
- num canto, a montagem nos leva ao ambiente dos mercados ribeirinhos, muito charmosos, com suas sacas de ‘legumes’ e ‘frutas’. Os vestidos que enfeitam essa área são feitos de latas de conserva;
- uma coleção de malas antigas de todos os formatos e cores chama a atenção: exibem fotos do acervo do Instituto Moreira Salles e vídeos produzidos pelo projeto cinema no Rio São Francisco;
- os visitantes se encantam com os vestidos preciosamente bordados, da coleção do verão de 2005 do estilista. A maioria adoraria tocar neles e, também, pisar no chão de pedrinhas brancas que enfeita boa parte da exposição;
- em uma das áreas da exposição, forrada de fotos antigas, ouve-se a cantora Maria Betânia declamando poemas de Carlos Drummond de Andrade;
- a seguir, uma reprodução muito legal do convés do barco a vapor Benjamin Guimarães, com redes penduradas que simulam (com bonecos de pano) seus tripulantes descansando;
- um documentário com o ator Wagner Moura e sua família - que morou à beira do rio numa das regiões alagadas - é exibido numa pequena sala magnificamente montada com espelhos;
- outra pequena sala convida os visitantes a brincar de pescaria;
- mais à frente, um painel gigante de tecido revela, resumidamente, os 2 mil e 700 quilômetros pelos quais passa o rio, que começa na Serra da Canastra, em Minas Gerais e percorre cerca de 500 municípios em mais quatro estados: Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Quem não cabulou as aulas de geografia sabe que a Bacia do São Francisco abrange também Goiás e o Distrito Federal;
- Ronaldo pintou, com seu traço característico, algumas figuras que habitam o folclore sobre o rio. Num grande painel estão reunidos o Surubim-Rei, a Mãe d’Água, a cachorrinha d’água, a velha feiticeira e o peixe-homem. Ronaldo contou que adorava "morrer de medo" dessas criaturas ao ouvir as histórias que os adultos contavam. Resultado: ainda este ano, ele deve lançar um livro infantil contando exatamente essas histórias ‘horripilantes’ das figuras lendárias do São Francisco;
- garrafas com a água do Velho Chico - da mais poluída à mais translúcida - exibem lindos rótulos desenhados pelo artista, que indicam a região onde foi colhida a água;
- ao lado, uma parede feita com 5 milhões e 200 mil canudinhos de plástico encanta e dá vontade de por a mão. Quem disse que os visitantes não deixaram suas marcas por lá?
- e, para terminar a ‘viagem’, uma sala redonda, inteira de ‘quadro negro’, convida os visitantes a deixar registradas suas impressões - com textos ou desenhos - sobre tudo o que viram e sentiram na exposição.

Depois de tanta informação, dá vontade mesmo de deixar um recado lindo para Ronaldo. 

Clique aqui para ver as fotos que ilustram tudo que contei aqui.

Quer saber mais? Navegue pelo site da exposição e pelas reportagens do Planeta Sustentável indicadas a seguir: 

- Mostra de Ronaldo Fraga chega à São Paulo 
- Ronaldo Fraga: navegando as águas do Velho Chico 
- Rio São Francisco bordado por Ronaldo Fraga 

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