Bichos

CRIME ORGANIZADO

Tráfico de animais é coisa séria! O mundo inteiro está de olho nos criminosos que prejudicam a natureza e o Brasil, país com a maior biodiversidade do mundo, tem motivos de sobra ficar atento
Manoella Oliveira  Planeta Sustentável - 16/03/2015
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[img1][box-leia]Aposto que você não imaginava, mas uma das atividades ilegais que mais movimenta dinheiro no mundo é o comércio de animais selvagens – eles são retirados do habitat natural covardemente e vendidos. Esse crime é praticado por uma das maiores redes do crime organizado internacional existentes, junto com o tráfico de drogas, de pessoas e armas.

Falando assim, parece um problema distante, uma coisa que acontece longe, em florestas onde você nunca foi, mas não funciona exatamente assim.

É sempre importante lembrar que estamos todos conectados - e não estamos falando de internet! Na natureza, tudo depende de tudo, tudo influencia tudo. Você já deve saber disso por causa da recente preocupação com o uso da água, certo?

As chuvas lá de longe, a mata nativa de lugares aonde você nunca foi, a temperatura do planeta que é alterada pela poluição de países do outro lado do mundo...tudo isso influencia na água que você consumiria.

Outro exemplo: se houver grande população de algum bicho, ela pode comer quase toda a população de outra espécie que vive num determinado local e isso pode prejudicar a polinização feita pela espécie e, assim, interferir no alimento disponível para nós, humanos. Não importa quantas etapas leva, o fato é que o problema sempre vai chegar à sociedade.

No Brasil, são milhões de animais retirados da natureza e vendidos ilegalmente e o pior é que entre o processo de captura e venda, além de todos os bichos sofrerem maus tratos, a maioria deles morre antes mesmo de chegar a um comprador. Mesmo assim, o tráfico de animais é uma atividade que traz muito lucro e envolve muita gente no mundo inteiro.

Os números são impressionantes. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), entre 20 mil e 25 mil elefantes são mortos na África todo ano. Entre 2010 e 2012, foram 100 mil mortos!

A população do Elefante-da-floresta, por exemplo, já diminuiu em 62%. Isso significa que ela já diminuiu para menos da metade porque os bandidos estão interessados no marfim do elefante, que é muito valioso. Para citar um exemplo mais próximo: você se lembra do Blue, do filme Rio (que, aliás, tinha como tema o tráfico de animais)? Na vida real, ele é uma Ararinha-azul, nativa do Brasil e um dos animais mais ameaçados de extinção do mundo. Há apenas 80 exemplares espalhados pelo mundo e acredita-se que na próxima década será extinta.

O QUE PODE SER FEITO?
Existe fiscalização para tentar conter essas atividades, inclusive no Brasil. Esse é um dos papéis do Ibama, mas nosso país é muito grande e nem sempre é possível chegar a todos os criminosos. Mas o ponto central é que só existe venda, quando existem compradores. Por isso, conscientizar as pessoas de que ao comprar animais silvestres elas estão dando dinheiro e poder a uma atividade cruel e ilegal é um bom começo. Muitas pessoas já se mobilizam pelos animais domésticos, inclusive nas redes sociais, não será hora de ampliar essa consciência para os animais silvestres?

O assunto esteve em alta recentemente. Aproveitando a celebração do Dia Mundial da Vida Selvagem, no dia 3/3, a ONU realizou uma assembleia geral, quando convidou seus países membros e a comunidade global a examinar os desafios e oportunidades da união mundial para combater esse problema. O tema era “está na hora de falar sério sobre os crimes contra a vida selvagem”, em tradução livre.

Além disso, a Organização está lançando iniciativas para endurecer as leis, regulações e engajar os setores da sociedade, entre outras ações, na Ásia e na África, assim como propor que todos os países levassem a sério a questão e repensassem suas políticas públicas e estratégias e setores. A união faz a força. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, além dos impactos ambientais, o tráfico ilegal de animais causa conflitos, ameaça a segurança e gera perdas econômicas e sociais para as regiões afetadas.

Vários outros eventos foram feitos mundo afora para celebrar a data, entre elas, duas ararinhas-azuis chegaram ao Brasil, em São Paulo, como símbolo de devolução das espécies ao seu ambiente natural.

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