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discurso emocionado

Yeb Sano, o filipino que chorou e comoveu o mundo na COP 19

Vanessa Barbosa - Exame.com - 14/11/2013

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[box-leia]Na esteira da destruição provocada pela passagem do tufão Haiyan nas Filipinas, um diplomata da nação insular fez uma declaração emocionada durante as negociações sobre mudanças climáticas da COP 19, reunião da ONU que acontece desde segunda-feira em Varsóvia, na Polônia. Seu discurso, que foi parar no Youtube ( veja no vídeo abaixo), comoveu os representantes de mais de 190 países que participam da conferência.

Em sua fala, o negociador Yeb Sano deixa sair toda a dor em relação à tragédia que acometeu seu país e a frustração, acompanhada do sentimento de impotência, diante da morosidade dos países em reduzir suas emissões de gases efeito estufa. O filipino diz que agoniza com a falta de informações sobre seus próprios familiares, mas que se sente aliviado de ouvir notícias de seu irmão, que está entre os sobreviventes do tufão e, como vários, "não come há dias".

Em solidariedade aos seus conterrâneos que ainda enfrentam dificuldades para conseguir comida, água e remédios, o diplomata anunciou que fará uma greve de fome durante toda a COP 19. Sano apelou aos governos para tomarem "medidas drásticas" nas negociações sobre o clima, a fim de evitar que supertufões se tornem normas para o clima global.

"Será que não podemos chegar logo ao objetivo final dessa conferência, que é o de evitar interferências antropogênicas perigosas no sistema climático?", indaga. "Ao falharmos nisso, nós possivelmente estamos ratificando nossa própria condenação", completa.

Especificamente, ele apelou para que a COP 19 garanta um progresso significativo em um compromisso por parte dos países ricos de doar US$ 100 bilhões a partir de 2020 para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com os impactos das mudanças climáticas. Ele também pediu a criação de um mecanismo de perdas e danos, e que passos mais ambiciosos sejam tomados para garantir que as emissões de gases estufa se estabilizem.

"A crise climática é uma loucura", disse ele aos delegados. "Nós podemos consertar isso. Nós podemos parar com essa loucura", concluiu.