Notícias
morto vivo

‘Volume Vivo’ lança 1º episódio de série para estimular debate sobre a crise da água em SP

Thiago de Araújo - Brasil Post - 22/04/2015

[img1][box-leia]

A chegada do período de seca em São Paulo promete reascender a discussão sobre a crise da água no Estado. Arrefecido pelas chuvas nos meses de fevereiro e março, o problema ainda esbarra na falta de transparência acerca da real gravidade da questão, com relatos de racionamentos não-oficiais em várias regiões e desencontro no discurso entre os próprios governantes.

Foi pensando nisso que nasceu a série Volume Vivo - um contraponto ao chamado volume morto, que vem abastecendo a Grande São Paulo desde o ano passado. Concebida para a internet, a série de episódios lança mão de matérias já exibidas na TV e entrevistas com especialistas, munidos de dados oficiais, para conceber um compilado apurado e transparente do tamanho da crise de abastecimento que o Estado vive.

"A ideia é que a discussão sobre a crise hídrica seja aprofundada, sem seguir a lógica atual, que produz apenas notícias factuais. Queremos aprofundar o entendimento das causas, apontar quais devem ser os direcionamentos para essa crise, não pensando nela como algo pontual, mas sim como um momento para transformar a forma como a água é gerida em SP", disse ao Brasil Post o diretor da série, Caio Silva Ferraz.

O primeiro episódio, intitulado A negação da crise, aborda como o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) não admitiu, durante muito tempo, a real gravidade da crise hídrica. Além de resgatar o noticiário, o episódio conta com especialistas para corroborarem a tese de que falta transparência e uma melhor explicação do tema à população. A meta, inicialmente, é que a série conte com quatro episódios. Tudo, claro, depende de recursos.

"A produção é um processo dinâmico, que depende muito da capacidade financeira de desenvolver isso. Estamos procurando empresas que possam se interessar em apoiar o projeto via lei de incentivo fiscal, porque a captação que conseguimos via crowdfunding apesar de eficiente para dar o start é pouco para produzir documentários deste tipo", comentou Ferraz. Logo no lançamento, na semana passada, o vídeo já contou com 17 mil visualizações apenas no Facebook, um número expressivo, levando em conta que trata-se de uma iniciativa coletiva e independente.

O segundo episódio, adiantou o diretor, deverá tratar das obras emergenciais das quais o governo paulista está lançando mão de "um modelo já tido como fracassado e antiquado", segundo Ferraz. "Deveríamos pensar mais em como perder menos água, em como ela é distribuída, tratada e reutilizada", completou.

A série possui uma página oficial e está aberta a quem queira contribuir, seja com opiniões ou apoios. A meta é poder criar condições de expandir a série para além dos quatro episódios iniciais, tornando a discussão sobre a gestão da água uma constante não só nas redes sociais, mas na vida de toda a população.

"Estava todo mundo sentindo isso, essa negação da crise pelo governo do Estado. É uma questão importante para ser falada no momento, estamos no negativo no (Sistema) Cantareira, é um momento crítico e espero que possamos ter uma boa repercussão do trabalho (...). A linguagem audiovisual tem essa vantagem de explicar, de maneira didática, essas questões como de onde vem a água, quais são os sistemas, e assim por diante", finalizou.

Assista ao primeiro episódio abaixo:

comments powered by Disqus
Tags: