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Paul Katz/Photodisc Tarifar comércio internacional não diminuiria emissão de CO2, diz estudo
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Tarifar comércio internacional não diminuiria emissão de CO2, diz estudo

Redação - Veja - 25/09/2012

Em maio de 2012, voltou a ser debatida na União Europeia a criação de uma tarifa de carbono. A proposta, apresentada pela primeira vez em 2008 e reanimada pelo atual ministro da Indústria da França, Arnaud Montebourg, propõe sobretaxar produtos importados cuja confecção tenha resultado em altas emissões do gás do efeito estufa. A política tem alvo certo: as mercadorias chinesas. Só que, pelo menos do ponto de vista ambiental, tais medidas trariam resultados pouco eficientes, de acordo com um recente estudo realizado pelo Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha.

A pesquisa publicada na revista Nature Climate Change propõe uma visão integrada do problema. A adoção de tarifas restringiria a entrada de produtos chineses nas economias ocidentais, mas, por outro lado, também poderia levar a uma mudança das características da economia chinesa. "Podemos imaginar que, se não conseguir vender para os Estados Unidos, a China produziria os mesmos itens para o mercado interno ou teria de mudar para a produção de outro tipo de indústria, como carros e máquinas", disse Michael Jakob, um dos autores do estudo, ao site de VEJA.

Menos vigilância — Os americanos e alemães tradicionalmente vendem ao gigante asiático automóveis e máquinas industriais, setores que consomem muita energia, mas que estão sob maior vigilância para atender às metas de eficiência energética nesses dois países. Se a China, com uma matriz energética altamente dependente de fontes poluentes, a exemplo do carvão, tivesse de confeccionar mais bens de alto custo energético, a quantidade de gases do efeito estufa liberados na atmosfera tenderia a aumentar no longo prazo, alerta Jakob. "No final, intervenções no mercado internacional poderiam trazer mais danos do que benefícios", complementa Robert Marschinski, outro economista responsável pelo estudo.

Os dados apresentados por Jakob e Marschinski evidenciam essa discrepância entre as emissões da indústria da China e dos EUA. Enquanto os americanos jogam na atmosfera 0,49 quilo de carbono para cada dólar produzido para exportação, a China emite 2,18 quilos do gás por dólar que exporta. A taxação dos bens chineses, ainda segundo os pesquisadores, tenderia a minar as vantagens comparativas da economia de ambos os lados.

Por essas razões, os autores defendem que a adoção ou não de tarifas contra produtos muito poluentes leve em conta outros fatores, e não apenas a balança de troca de carbono entre os países. "A questão crucial da transferência de carbono vai além do comércio mundial. Precisa ler levado em conta o quão limpa é a produção energética em cada caso", afirma Marschinski.

Cooperação — Não existe remédio de curto prazo, segundo Jakob. Para ele, a redução das emissões de carbono deve ocorrer via cooperação internacional em programas para limpar a matriz energética de nações que jogam muito carbono na atmosfera. No caso específico da China, diz o economista, há muito espaço para o desenvolvimento de tecnologias menos dependentes por carvão.

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