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A solução para a crise do transporte? Cidades compactas

Vanessa Barbosa - Exame.com - 21/11/2013

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[box-leia]Qual a melhor solução para a crise da mobilidade urbana nas cidades? Não, o alívio não virá da construção de novas rodovias, pontes e viadutos, iniciativas mais comuns postas em práticas pelos governantes.

Para Elkin Velasquez, diretor do escritório regional para América Latina e Caribe do Onu-Habitat, a solução passa menos pelas mãos e mentes dos engenheiros de transportes e mais pelos planejadores urbanos.

Durante participação no Exame Fórum Sustentabilidade, que acontece em São Paulo, nesta terça, o especialista da ONU apontou o que considera ser a saída para o problema da mobilidade: cidades sustentáveis compactas, conectadas, integradas e inclusivas.

"Nos últimos 50 anos, nós desenvolvemos as cidades de maneira estendida e parcelada, com áreas comerciais, industriais, tudo separado, mas conectado por rodovias, o que exige deslocamentos mais longos. Isso não é sustentável nem do ponto de vista econômico, nem social, nem ambiental", afirmou.

Segundo ele, é preciso encontrar um modelo de expansão sustentável. "Vamos fazer cidades mais compactas. Compactas, mas organizadas. Compactas, mas planificadas", explicou.

CIDADES COMPACTAS E SUSTENTÁVEIS
Mas o que define cidades compactas e sustentáveis? De acordo com o diretor da ONU, são regiões onde viagens diárias sejam curtas, com foco no desenvolvimento de áreas adjacentes às cidades existentes. Uma cidade que concilia densidade e capacidade de trânsito. Uma cidade que se debruça sobre um Plano Diretor e áreas TOD (Desenvolvimento Orientado para o Trânsito).

A criação de densas redes de ruas e trajetos são outra caraterística importante. "Em geral, as cidades carecem de ruas bem conectadas que facilitem o fluxo de veículos e de outros meios de transportes", disse. Na América Latina, onde os bairros se desenvolveram de forma informal, há uma grande oportunidade para essa mudança.

A cidade integrada, diz o diretor da ONU, estimula o uso misto dos bairros, o equilíbrio entre moradias e serviços, com provisão de uma variedade de parques e espaços ao ar livre.

"Aqui o que funciona é a economia local, distribuída em diferentes bairros, para que os moradores possam encontrar o que querem sem depender muito do transporte público", sublinhou.

Cidades inclusivas devem ainda desenvolver bairros que estimulem a caminhada. Encurtar cruzamentos e enfatizar a segurança e conveniência da caminhada. "Uma cidade não é igualitária quando constrói ruas para serem ocupadas 80% por único modal", critica Velásquez.

Por fim, a cidade inclusiva implica pensar na maioria e como desenhar a cidade para priorizar a maioria, de forma a melhorar a qualidade do espaço público.