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Ruído dos veículos gera danos à saúde e economia

Bruno Capelas - Agência USP - 06/10/2011

Testes realizados em pesquisa da Escola Politécnica (Poli) da USP mostram como os diferentes tipos de revestimento das estradas podem melhorar ou piorar os efeitos do ruído causado pelo tráfego. 

"Existem várias formas de se reduzir o impacto do ruído: barreiras sonoras, reduzindo a velocidade, ou mexendo no pavimento das estradas — que é o que um engenheiro pode fazer", explica Sérgio Callai, engenheiro e responsável pela pesquisa de mestrado Estudo do ruído causado pelo tráfego de veículos em rodovias com diferentes tipos de revestimento de pavimentos . Três foram os tipos de revestimentos de pavimentos estudados, em duas pistas diferentes. Na rodovia dos Bandeirantes (SP), havia o microrrevestimento, forma muito corriqueira nas estradas brasileiras; e o asfalto borracha gap graded, que contém o derivado do látex em sua composição. O outro modelo avaliado foi o concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ), presente na pista da Pirelli, em Sumaré (SP). 

Mediram-se os ruídos interno e externo em relação a um carro. Para o primeiro, realizado nas três variedades de asfalto, captou-se o som a partir de um microfone colocado próximo ao ouvido do motorista. Já para o ruído externo, foi aplicado o método do nível de ruído equivalente: mede-se um grupo de veículos, durante dez minutos, dividindo-os em leves e pesados. Entretanto, no caso do ruído externo, não foi verificado o comportamento do CBUQ: a pista da Pirelli era próxima demais de uma rodovia, o que dificultou o isolamento dos dados obtidos. 

"É difícil estabelecer um valor exato de intensidade de som que machuca o ouvido humano. Depende do tempo de exposição e da natureza da fonte sonora", explica Callai. Entretanto, na Europa, o limite aceitável para a preservação da saúde é de 55 decibéis (dB). O impacto do ruído na economia pode ser sentido no desconforto no trabalho e na desvalorização imobiliária. Callai toma como exemplo a região próxima ao Minhocão: "É uma área central da cidade, mas você vai morar perto de um barulho daqueles?". Em sua pesquisa, ele cita um levantamento de 1993, do pesquisador Émille Quinet, que estima que o prejuízo causado pela poluição sonora varie entre 0,2% e 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de uma nação. 

OS RESULTADOS
Todas as medidas foram feitas no mesmo dia, com temperatura ambiente de 25ºC, temperatura do asfalto de 38ºC, umidade relativa do ar de 55% e velocidade do vento de 1,5 km/h. O carro utilizado foi um modelo Palio 1.8 e sua velocidade era de 100 quilômteros por hora (km/h) em todas as baterias — a não ser na que lidou com variação de velocidade. 

Nas medições, foi detectado que, para o ruído externo há uma diferença de 3dB entre o ruído causado no asfalto borracha (80 dB) e o microrrevestimento (83 dB). "Trata-se de uma diferença sutil, mas perceptível", explica o engenheiro. Para o ruído interno, os resultados foram bem parecidos: a diferença foi de apenas 2 dB entre o asfalto borracha (71 dB) e os outros dois (73 dB).

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