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Rio+20 evidenciou protagonismo da sociedade civil

Vania Alves/Rádio Câmara - Edição: Maria Clarice Dias - Agência Câmara de Notícias - 05/07/2012

Os parlamentares brasileiros destacaram que, mesmo que o resultado das reuniões oficiais da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 oficial, não tenha trazido os resultados esperados, propiciou grandes avanços protagonizados pela sociedade civil.

Em balanço feito pela Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas nesta quarta-feira, os deputados afirmaram que a reunião falhou em não estabelecer metas nem definir um fundo que financiasse as ações pelo desenvolvimento sustentável, mas permitiu que a discussão sobre um mundo sustentável e a economia verde se popularizasse.

O presidente da comissão, deputado Márcio Macêdo (PT-SE), relatou que, na época da Rio92, também se falou em fracasso. Mas, em sua avaliação, todas as grandes políticas públicas de proteção ambiental adotadas no Brasil tiveram sua origem naquele encontro. 

METAS E PROPOSTAS
Macêdo chamou atenção para o Fórum de Legisladores e o encontro dos prefeitos das maiores cidades do mundo, que adotaram metas e propostas. Para o deputado, isso mostra para os dirigentes mundiais, responsáveis pelo evento central, que é possível tomar decisões que podem mudar o rumo do desenvolvimento.

Os parlamentares destacaram, durante o debate, que a necessidade de consenso entre os 193 países participantes foi decisiva para a "timidez" do documento oficial do encontro. O líder do PV, deputado Sarney Filho (MA), destacou que a ousadia se mostrou nas manifestações da sociedade civil.

"Ficou comprovado na Rio+20 que o protagonismo da defesa da sustentabilidade, da defesa intergeracional, está nas mãos dessas forças vivas e foram elas que demonstraram que é possível fazer uma mudança radical, como a emergência climática exige", avaliou.

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) afirmou que a Rio 92 avançou mais porque tratou de temas que já eram discutidos no âmbito das Nações Unidas, o que não aconteceu com os temas da Rio+20, que era economia verde e governança. Esse último é a busca de uma forma harmoniosa de realização dos acordos ambientais, inserindo o tema no centro das decisões tomadas no âmbito das Nações Unidas. 
 
RIO CLIMA
Já o seminário Rio Clima, evento paralelo organizado por Alfredo Sirkis, foi apontado como sucesso pelos parlamentares. O evento atraiu especialistas de 15 países e teve intensa participação do público. Concluído com recomendações à Rio+20 e também à Conferência do Clima, que ocorre no fim do ano, o evento foi adotado por Pernambuco e pela cidade do Rio como permanente.

Sirkis acredita que o sucesso da atuação parlamentar junto aos movimentos da sociedade na Rio+20 terão continuidade. "O Congresso vai monitorar e acompanhar o cumprimento das decisões que foram tomadas na Rio+20. Isso de alguma forma também vai influir, espero eu, na própria pauta do Congresso. Acho inconcebível que se volte a discutir o Código Florestal sem se levar em conta os ensinamentos da Rio+20", afirmou.

A comissão mista aprovou a criação de uma subcomissão para discutir as propostas para a Conferência do Clima, que será realizada no Catar.

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