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crise hídrica

Relatora da ONU critica gestão de água em São Paulo e no Brasil

Suzana Camargo - Planeta Sustentável - 10/09/2014

[img1][box-leia]"O racionamento de água em São Paulo não é culpa de São Pedro, mas, sim, das autoridades, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da falta de investimentos". A declaração é da relatora da ONU para O Direito à Água, a portuguesa Catarina Albuquerque.

A afirmação foi feita na terça-feira (09/09), em encontro das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, quando foi apresentado um relatório que acusou o governo brasileiro de não garantir o acesso universal à água para a população do país.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Catarina disse que a seca que se abate sobre o Brasil não é a única responsável pelo falta de água, mas sim as autoridades, a falta de investimento e no caso específico de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Segundo a relatora da ONU, "o racionamento de água precisa ser previsto e os investimentos necessários precisam ser feitos", disse ao jornalista Jamil Chade. "A responsabilidade é do Estado, que precisa garantir investimentos em momentos de abundância".

Catarina Albuquerque falou ainda que se Sabesp tem ações comercializadas na Bolsa de Nova York e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), deveria antes ter garantido o total acesso à água e saneamento ao moradores da capital paulista.

O relatório apresentado por ela aponta que 77 milhões de brasieiros não são beneficiados com abastecimento de água e 114 milhões de pessoas - 60% da população do país - aguardam infraestrutura de saneamento em suas residências. O levantamento diz ainda que oito milhões de brasileiros fazem suas necessidades ao ar livre.

De acordo com O Estadão, a relatora da ONU teve vetada uma inspeção ao país em junho de 2013. A entidade relacionou o veto com as manifestações que aconteceram no Brasil naquele período e a resistência do governo brasileiro para imperdir que o relatório final fosse apresentado antes da realização da Copa do Mundo por aqui.

Já o governo brasileiro respondeu às críticas afirmando que acesso à água e ao saneamento é prioridade da administração federal e que foram realizados investimentos de R$ 21,5 bilhões em moradia, acesso à água, serviços de esgoto e revitalização urbana.

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