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Reator produzido com sucata destrói solvente tóxico

Rosemeire Soares - Agência USP - 29/09/2011

Parceria entre os funcionários do Laboratório de Resíduos Químicos (LRQ) e Oficina de Precisão, ambos da Divisão de Apoio Transitório da Coordenadoria do Campus (CCRP), e Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, resultou no desenvolvimento de um equipamento que pode converter grande quantidade de acetonitrila, um solvente altamente tóxico, em subprodutos de menor impacto ao meio ambiente.

A acetonitrila, um subproduto da indústria automobilística, é utilizada usualmente como solvente nas análises em 60% dos cerca de 400 laboratórios de pesquisa da USP em Ribeirão Preto, os quais geram cerca de 100 litros de resíduos dessa substância por mês. Anteriormente, a acetonitrila era armazenada nos laboratórios do campus sem ter um destino ambientalmente adequado.

Usando como modelo um equipamento criado no Laboratório de Resíduos Químicos da USP de São Carlos, o grupo de Ribeirão Preto adaptou uma sucata de autoclave, aparelho para esterilização, e mais alguns instrumentos também reutilizados para construção do novo reator. "A ideia de usar autoclave de aço inoxidável facilita e torna seguro o trabalho com o equipamento", afirma Odair Batistão, da Seção de Oficinas de Precisão, que complementa dizendo que testes preliminares com plástico indicaram que esse material não é capaz de suportar as condições necessárias à destruição. Outros desafios encontrados por Batistão e pelos técnicos da Oficina, foram adaptar um sistema de agitação com controle de velocidade e acoplar um controlador de temperatura.

O equipamento, chamado pelo grupo de "Reator de Destruição de Acetonitrila", tem capacidade para destruir, de uma única vez todo o volume desse solvente gerado mensalmente no campus, que resulta basicamente em dois subprodutos: o ácido acético, um dos componentes do vinagre, e a amônia, um dos componentes do amoníaco doméstico.

Adriano César Pimenta, químico do LRQ, atribui o sucesso na elaboração do equipamento à capacidade criativa do pessoal da Oficina de Precisão. O químico Danilo Vitorino dos Santos, técnico do LRQ, acrescenta que a reação de destruição é simples, mas a otimização das condições de reação é que se torna complicada. Diversos fatores influenciam no processo: porcentagem de acetonitrila no resíduo, volume tratado, temperatura, agitação da solução, pressão, etc. O técnico também lembra que a colaboração das Unidades, em especial da FCFRP e da CCRP, foi imprescindível para o desenvolvimento do trabalho. "Eles forneceram todo o material necessário para construção do reator."

Solange De Santis, responsável pelo gerenciamento de resíduos químicos da FCFRP, também tem participado no desenvolvimento do trabalho, principalmente na determinação das condições ótimas de degradação.

Para a técnica do LRQ, Regina Célia Leal, a criação desse equipamento vem ao encontro do objetivo principal do laboratório que é dar um destino ambientalmente correto aos resíduos químicos gerados nos laboratórios de ensino e pesquisa do campus, bem como conscientizar seus geradores sobre a importância para o meio ambiente do descarte adequado desse tipo de substância. "A questão ambiental é um direito fundamental novo, que pauta nosso trabalho desde o início de nossas atividades", avalia Regina.

Para conclusão dos estudos, resta ainda estabelecer as condições ideais de degradação da substância e determinar a eficiência do processo. Para isso, os funcionários do LRQ contam com o apoio do professor Bruno Spinosa de Martinis, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, que deverá realizar as análises de cromatografia. "Os resultados de tais análises são imprescindíveis para garantir que o resíduo possa ser descartado dentro dos limites estabelecidos pela legislação e, sobretudo, de forma ambientalmente correta", conclui Adriano.

LABORATÓRIO DE RESÍDUOS QUÍMICOS
Criado em meados de 2002 e tendo suas atividades retomadas em 2006, o Laboratório de Resíduos Químicos (LRQ) do campus conta uma equipe de três funcionários, um químico e dois técnicos de laboratório, em dedicação exclusiva ao gerenciamento e tratamento de resíduos químicos.

Além disso, para o tratamento e o descarte adequados desses resíduos e, principalmente, a formação de uma consciência ambientalmente correta, o LRQ tem papel fundamental de orientação e apoio para aplicação das ações de gerenciamento e tratamento; elaboração de protocolos de manuseio, armazenamento e descarte adequado; implantação do banco de reagentes do campus; treinamento de técnicos e estudantes e a busca de novas tecnologias para tratamento.

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