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Rato africano consegue regenerar partes do corpo como as lagartixas
Descoberta

Rato africano consegue regenerar partes do corpo como as lagartixas

Redação - Veja - 08/10/2012

Uma nova pesquisa publicada na revista Nature mostrou que um rato africano é capaz de regenerar os tecidos danificados de um modo nunca visto antes em mamíferos. Até agora, só se conhecia essa capacidade em répteis, anfíbios, crustáceos e insetos, que têm a biologia muito diferente. Agora, a descoberta de um mamífero com tamanho poder de regeneração pode levar a avanços nas pesquisas com tecidos humanos.

A capacidade foi descoberta em duas espécies de ratos africanos: o Acomys kempi e o Acomys percivali. "Ele consegue regenerar o tecido da orelha da mesma forma que uma salamandra consegue regenerar uma extremidade perdida pelo ataque de um predador", disse Ashley Seifert, pesquisador da Universidade da Califórnia. "A pele, os folículos capilares e a cartilagem — tudo se regenera".

Segundo o pesquisador, isso não acontece com outros mamíferos, nos quais uma cicatriz se forma no local do ferimento. Em outras partes do corpo, os ratos também apresentaram um grande poder de regeneração, apesar de menos eficiente que na orelha. "Em suas costas, os folículos capilares e a pele crescem de novo, mas os músculos debaixo da pele não se regeneram", disse o pesquisador. 

MAMÍFEROS E ANFÍBIOS                                                                                                                                              A pesquisa de Seifert era voltada originalmente ao estudo da regeneração em anfíbios. O cientista, no entanto, foi avisado por um colega sobre o roedor africano, que parecia ter um mecanismo de defesa no qual podia amputar uma parte do próprio corpo para escapar dos predadores. Este mecanismo já era bastante conhecido em lagartixas e salamandras, mas muito raro em mamíferos.

Ao entrar em contato com o animal, o que realmente chamou a atenção de Ashley Seifert foi sua capacidade de curar os ferimentos depois de ser submetido a perfurações na orelha. "Os resultados foram incríveis", disse o cientista. "Os diversos tecidos do ouvido voltaram a crescer mediante a formação de estruturas do tipo blastema - o mesmo processo biológico que um salamandra utiliza para regenerar uma extremidade decepada."

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