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Quase um terço da população mundial está obesa ou acima do peso

Redação - VEJA.com - 29/05/2014

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[box-leia]Em todo o mundo, há 2,1 bilhões de pessoas obesas ou com sobrepeso, o que representa quase 30% da população. Em 1980, esse número era de 857 milhões. O aumento da obesidade nas últimas três décadas ocorreu em todas as regiões do mundo, representando um problema de saúde pública em países ricos e pobres. 

As informações são da pesquisa Global Burden of Disease, considerada a análise mais abrangente feita sobre o assunto, publicada nesta quinta-feira (29) na revista The Lancet. Conduzido pelo Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde (IHME, sigla em inglês), da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, o estudo analisou informações de crianças, adolescentes e adultos de 188 países. 

Reunindo dados de pesquisas, censos estatísticos e artigos científicos em todas as regiões do planeta, entre 1980 e 2013, o trabalho aponta para a necessidade de uma ação global conjunta para combater a epidemia crescente de obesidade. 

"A obesidade afeta pessoas de todas as idades e renda", diz Christopher Murray, diretor do IHME. "Nas últimas três décadas, nenhum país teve sucesso na redução de suas taxas. O problema deve crescer nos países pobres, se medidas urgentes não forem tomadas para combater essa crise de saúde pública." 

OS PAÍSES MAIS GORDOS
Há 671 milhões de obesos no mundo. Mais da metade deles vive em apenas dez países: Estados Unidos (acima de 13%), China e Índia (15%), seguidos por Rússia, Brasil, México, Egito, Alemanha, Paquistão e Indonésia. 

Em todo o planeta, a obesidade e sobrepeso aumentaram de 29% para 37% entre os homens e, entre as mulheres, de 30% para 38%. Os homens lideram o ranking nos países ricos e as mulheres, nos pobres. 

"No caso feminino, quanto menor a instrução e a renda, maior é o peso. Para os homens, esses fatores não são tão importantes", diz Paulo Lotufo, diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP, e um dos três autores brasileiros do estudo. "Com menos acesso à informação, a mulher deixa de ter alimentação variada. Além disso, o preço dos alimentos altamente calóricos é baixo." 

RICOS E POBRES
Entre os países ricos, o aumento de peso foi maior nos Estados Unidos (onde quase um terço da população adulta é obesa), Austrália (28% dos homens e 30% das mulheres) e Grã-Bretanha (um quarto dos adultos). 

Nas nações de maior renda, o aumento da obesidade acelerou-se entre 1992 e 2002 e diminuiu após 2006. Nas pobres, onde vivem quase dois terços dos obesos do mundo, o número não para de crescer. 

CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Um dos dados mais alarmantes da pesquisa é o aumento da obesidade e sobrepeso em crianças e adolescentes. Nos últimos 33 anos, essas condições cresceram 47% nessa faixa, enquanto nos adultos o crescimento foi de 28%. Nos países pobres, quase 13% dos meninos e 13% das meninas são obesos ou têm sobrepeso. Entre os ricos, o número é de 24% para os garotos e 22% para as garotas. 

BRASIL
Parte das informações brasileiras veio da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). "Usamos os dados e trabalhamos as estatísticas, corrigindo-as para conseguirmos comparar de maneira confiável com outros países", explica Lotufo. 

No país, 52,5% dos homens e 58% das mulheres estão acima do peso. Os obesos do sexo masculino são 12%, enquanto as obesas somam um quinto da população. Entre as crianças e adolescentes, 22% dos garotos e 24% das garotas estão acima do peso. 

"A obesidade aumentou rapidamente nas últimas décadas", diz Lotufo. "Para explicar essa epidemia crescente, em todo o planeta, os motivos clássicos como o consumo calórico elevado ou a falta de exercício tornaram-se insuficientes. Precisamos procurar outras razões para esse problema associado a tantas doenças, como as cardiovasculares e o diabetes."

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