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Bitucas podem ser usadas para armazenar energia

Vanessa Daraya - INFO Online - 15/08/2014

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[box-leia]Cerca de 5 milhões de pontas de cigarro vão para o lixo (quando não vão para as ruas) por ano. Isso equivale a 766 toneladas de lixo com potencial para virar um material mais eficiente do que o grafeno e os nanotubos de carbono. É o que garantem cientistas sul-coreanos. 

O grupo de pesquisadores conseguiu converter as pontas de cigarro em um material que pode ser usado como um revestimento para eletrodos de supercapacitores, componentes usados para o armazenamento de grandes quantidades de energia. A pesquisa foi publicada no periódico científico Nanotechnology

O filtro do cigarro é feito de fibras sintéticas de acetato de celulose. Os cientistas colheram pontas de cigarro de diversas marcas e transformaram essas fibras tóxicas e não biodegradáveis em um material a base de carbono. 

Os cientistas usaram um processo chamado pirólise, que ocorre quando o material exposto a altas temperaturas é alterado ou decomposto. Queimar as fibras na presença de nitrogênio gerou um material a base de carbono preenchido com pequenos poros, que transformam a ponta do cigarro em um material supercapacitivo. 

Supercapacitores são usados para armazenar grandes quantidades energia. O principal uso desse material é industrial, mas também tem sido usado em automóveis e em sistemas de produção e armazenamento de energia eólica. Os cientistas acreditam que novo material de alto desempenho feito com os filtros dos cigarros também poderá, no futuro, ser integrado a computadores e dispositivos móveis. 

A equipe uniu o material à base de carbono a um eletrodo e testou para ver como o material pode absorver elétrons (carga) e, em seguida, liberá-los (descarga). Foi com essa experiência que os cientistas descobriram que o material armazenou uma quantidade de energia elétrica maior do que materiais como carbono, o grafeno e os nanotubos de carbono conseguem. 

"Nosso estudo mostrou que os filtros de cigarro ​​podem virar um material de alto desempenho a base de carbono por meio de um simples processo químico, que oferece simultaneamente uma solução verde para atender às demandas de energia da sociedade", disse o professor Jongheop Yi, da Universidade Nacional de Seul, em um comunicado à imprensa. "Muitos países tem criado normas rígidas para evitar os trilhões de filtros de cigarro que são descartados no meio ambiente a cada ano; nosso método é apenas uma maneira de conseguir isso", afirmou.

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