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Poluição da China pode ser sentida nos Estados Unidos

Redação - Veja.com - 24/01/2014

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[box-leia]Maior exportador do mundo, com mais de 2 trilhões de dólares acumulados em vendas para o exterior no ano passado, a China tem um novo produto de exportação atravessando as suas fronteiras: sua poluição industrial. É o que descobriu uma pesquisa publicada pela revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences. O estudo, o primeiro a quantificar o impacto da poluição chinesa nos EUA, concluiu que as emissões do país asiático viajam sobre o Oceano Pacífico e chegam a contribuir para o aumento de 12% a 24% na concentração diária de poluentes no ar da costa oeste americana.

Por causa disso, a área de Los Angeles e outras regiões da costa oeste dos EUA registram ao menos um dia extra por ano com níveis de ozônio além dos limites estabelecidos pela legislação federal, afirmam os pesquisadores. Segundo o estudo, isso está diretamente relacionado ao óxido de nitrogênio e monóxido de carbono emitidos por fábricas chinesas de produtos para exportação.

Os ventos que sopram sobre o Pacífico em direção aos Estados Unidos enviam os gases tóxicos em poucos dias. Em muitas áreas da costa oeste, o prejuízo é maior porque os vales e bacias hidrográficas comuns na região facilitam o acúmulo de poeira, ozônio e carbono no ar. Em 2006, diz a pesquisa, a concentração de sulfatos subiu 2% na região, na comparação com o ano anterior. As partículas de sulfato, cujos níveis chegaram a subir de 12% a 24% em um único dia, agem como catalizadoras das reações que levam à destruição da camada de ozônio.

Outra substância cujos níveis aumentaram no leste dos EUA foi o chamado carbono negro, presente na fumaça produzida durante a combustão de madeira e biomassa, por exemplo. Ele está ligado a doenças como asma, câncer, enfisema e problemas cardíacos.

BENEFÍCIO
Os cientistas, no entanto, apontam um benefício para os Estados Unidos. Como grande parte da indústria chinesa de bens de consumo cresceu nos últimos anos devido à transferência para o país asiático da produção de empresas americanas de eletrônicos, como TVs, computadores e celulares, as emissões na costa leste dos EUA, onde se concentrava boa parte deste parque industrial, diminuíram.

O prejuízo quanto ao aumento dos gases tóxicos no oeste, defende o estudo, seria menor pelo fato de a densidade populacional no leste do país ser maior - logo, mais pessoas estariam sujeitas à melhor qualidade no ar.

Liderado pelo professor Jintai Lin, da Universidade de Pequim, o projeto de pesquisa foi iniciado há dois anos e meio e teve contribuições de economistas, geólogos e cientistas ambientais da Grã-Bretanha, China e Estados Unidos.