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Poluição do ar pode causar danos ao cérebro, alerta pesquisa

Vanessa Barbosa - Exame.com - 29/04/2015

[img1][box-leia]Asma, problemas de coração, câncer de pulmão, rinites e bronquites... A longa lista de complicações de saúde associadas à poluição do ar nas grandes cidades, adicione mais uma: danos ao cérebro.

É o que aponta uma pesquisa da Harvard Medical School, publicada no periódico científico Stroke.

Segundo o estudo, a exposição de longo prazo à poluição urbana pode ser associada à algumas mudanças estruturais no cérebro, capazes de afetar negativamente seu funcionamento.

Entre elas: redução do tamanho do cérebro, envelhecimento precoce do mesmo, pequenos "infartos" e até mesmo demência.

O pesquisadores examinaram dados sobre 943 homens e mulheres saudáveis com mais de 60 anos, que vivem na região de New England, no Reino Unido.

Ao comparar aqueles que vivem nas áreas mais poluídas com os que moram em locais com o ar mais limpo (e controlar fatores ligados à estilo de vida), eles concluíram que o segundo grupo tem um risco 46% maior de sofrer com mini-infartos cerebrais (que podem ser visto em varreduras do cérebro, mas normalmente não causam sintomas).

Tais infarto cerebrais têm ligação com uma pior função cognitiva e demência, segundo os pesquisadores.

Além disso, os maiores níveis de poluentes em suspensão também foram associados à uma redução de 0,32% em volume do cérebro, que seria uma consequência do envelhecimento precoce do órgão.

Não está claro, exatamente, como a poluição do ar pode mudar o cérebro das pessoas. Os pesquisadores suspeitam que ela pode causar aumento de inflamações, mas eles ainda estão tentando entender a ligação.

Para analisar as estruturas cerebrais dos participantes, eles utilizaram ressonância magnética e compararam as imagens com os níveis de poluição do ar nos locais onde cada grupo vivia.

Eles também usaram dados de satélite para medir partículas menores que 2,5 micrômetros, as chamadas PM 2,5.

Verdadeiras ameaças em suspensão no ar, essas partículas ultrafinas resultam da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e formam, por exemplo, a fuligem preta em paredes de túneis e latarias de carros.

Imperceptível a olho nu, o material particulado não encontra barreiras físicas, entrando facilmente no corpo humano.

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