Notcias
cooperao

Oportunidades da bioenergia

Fbio de Castro - Agncia FAPESP - 27/09/2011

A FAPESP e a ETH Bioenergia assinaram um acordo de cooperao para pesquisa nesta segunda-feira (26/09) na sede da Fundao, em So Paulo. Simultaneamente, foi lanada uma chamada de propostas aberta a pesquisadores vinculados a instituies de ensino superior e de pesquisa, pblicas e privadas, no Estado de So Paulo.

Participaram da cerimnia de assinatura do convnio Celso Lafer, presidente da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cientfico da Fundao, Jos Carlos Grubisich, presidente da ETH, e Carlos Eduardo Calmanovici, diretor do Departamento de Inovao e Tecnologia da ETH.

Os temas de interesse do acordo e da chamada so Manejo varietal de cana-de-acar, Multiplicao acelerada de variedades, Desenvolvimento de biomassas de ciclo curto para complementar a cana-de-acar na produo de etanol e bioenergia, Desenvolvimento de leveduras industriais com melhor desempenho fermentativo de acares (hexoses e pentoses) para etanol, Otimizao do processo produtivo agrcola da cana-de-acar, Sistemas para automao agrcola com perspectivas para agricultura de preciso, Otimizao do processo produtivo agrcola da cana-de-acar e Recuperao e uso de subprodutos e resduos (CO2, palha, bagao e vinhaa).

De acordo com Calmanovici, o total de recursos oferecido para atender s propostas selecionadas de R$ 10 milhes, sendo R$ 5 milhes pela FAPESP e R$ 5 milhes pela ETH. Os projetos devero ter durao de at 50 meses e as propostas sero recebidas pela FAPESP at o dia 12 de dezembro.

O acordo est inserido no contexto de mltiplas oportunidades que caracteriza o setor de bioenergia, desde a rea agrcola at a parte industrial. Neste acordo, em especial, priorizamos a rea agrcola, dentro da qual esto cerca de dois teros das linhas de pesquisa propostas, disse Calmanovici Agncia FAPESP.
Na rea agrcola, os destaques so as reas de manejo varietal e desenvolvimento de novos clones projetados para ambientes especficos das reas de fronteira agrcola. Tambm h forte nfase na agricultura de preciso, automao agrcola e desenvolvimento de novas biomassas de ciclo curto que podem complementar a cana-de-acar, aumentando ainda mais sua competitividade, disse.

Do lado industrial, o foco das linhas propostas est especialmente na rea de fermentao. Interessa-nos o desenvolvimento de novas tecnologias e abordagens para o aumento da competitividade da fermentao e o aproveitamento de subprodutos. Mas, de modo geral, a chamada tem um conjunto coerente de linhas, com foco na parte agrcola, disse Calmanovici.

A rea agrcola, segundo Calmanovici, foi privilegiada por ter avanado menos que o setor industrial, em termos de pesquisa sobre bioenergia. Segundo ele, trata-se de uma rea que tem grande demanda de conhecimento e necessidade de inovao capaz de agregar valor.

A ETH tem seu modelo estratgico baseado em crescimento e novas fronteiras agrcolas. Essas novas fronteiras no caso paulista o Pontal do Paranapanema so ambientes novos que exigem justamente o uso desses conhecimentos para atender s suas necessidades. H grande demanda de tecnologias agrcolas, desde o lado das novas variedades e novas biomassas at o manejo e automao do processo agrcola, disse.

Brito Cruz destacou que o acordo mais uma oportunidade de estreitar os laos entre a universidade e o setor industrial na rea de bioenergia e biocombustveis, na trilha do programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).
Essa rea tem sido muito importante para a FAPESP. O BIOEN j rene mais de 100 cientistas e j tem cerca de 60 projetos de pesquisa contratados e R$ 70 milhes investidos em vrios temas, disse.

De acordo com Lafer, uma das preocupaes centrais relacionadas ao programa assim como ao acordo estimular, ao lado da avanada pesquisa bsica, um bom conjunto de projetos com aplicaes viveis. Por isso importante desenvolver parcerias com empresas.

O programa representa uma oportunidade muito especial para o Brasil e para o Estado de So Paulo, porque o Brasil tem a dianteira mundial do conhecimento neste tema. Para manter essa dianteira preciso realizar muita pesquisa, disse o presidente da FAPESP.

Brito Cruz chamou a ateno para a importncia da chamada tecnologia de primeira gerao de produo de etanol. De acordo com ele, muitas vezes h uma tendncia a acreditar que a tecnologia usada no pas, por ser de primeira gerao, no to boa.

preciso lembrar sempre que a tecnologia que temos disponvel uma realidade e muito melhor que todas as tecnologias de segunda gerao disponveis at agora, ressaltou.

Brito Cruz lembrou que, graas s pesquisas realizadas por grupos brasileiros, a Agncia Norte-Americana de Proteo Ambiental (EPA, na sigla em ingls) passou a considerar o etanol nacional como um biocombustvel avanado. Preferimos falar em biocombustvel avanado que usar a terminologia tecnologia de primeira gerao, disse.

Segundo Grubisich, com a parceria com a FAPESP, universidade e empresa podero trabalhar juntas, assumindo tarefas complementares. Temos a capacidade de identificar problemas na nossa produo, mas nem sempre sabemos encontrar solues para eles. Por isso, as parcerias com a universidade so fundamentais. J temos colaboraes em casos especficos, mas entraremos em outro nvel ao estabelecermos um programa estruturado, agregando a expertise da FAPESP nos procedimentos de seleo dos trabalhos, disse.

De acordo com Grubisich, as sete usinas da ETH tm grande capacidade de produo, so todas integradas, com aproveitamento de resduos e processo de plantio e colheita completamente mecanizado, sem queima de palha de cana-de-acar.

Esperamos que nos prximos dez anos os processos e produtos dessa rea tenham uma grande evoluo. Nesse contexto, biocombustveis avanados so uma enorme oportunidade. Esperamos que, investindo em pesquisa, possamos nos situar no peloto de frente desse mercado, almejando a liderana. Contamos com o apoio das universidades para estabelecer esse grande programa tecnolgico no Brasil, afirmou.

Mais informaes: FAPESP

comments powered by Disqus