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Paulo Nogueira Neto: Código Florestal pode sobreviver

Marina Franco - Planeta Sustentável - 03/06/2011

A aprovação na Câmara dos Deputados da proposta do deputado Aldo Rebelo de alteração no Código Florestal foi uma derrota política, mas o equilíbrio entre ambientalistas e ruralistas pode ser recuperado quando a lei for analisada pelo Senado, como avalia Paulo Nogueira Neto, membro do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. "Sofremos uma grande derrota de caráter político, mas agora certamente podemos recuperar a importância que a lei dará ao meio ambiente através das discussões do Senado", afirmou o ambientalista hoje em coletiva de imprensa da Conferência do Ano Internacional das Florestas, organizada pelo Instituto Humanitare.

A expectativa de Paulo Nogueira Neto em relação às discussões do Senado é boa por conta da escolha do relator, que será o senador Jorge Viana, ex-governador do Acre. "Viana é reconhecidamente um ambientalista e já declarou que fará uma relatoria equilibrada entre os interesses ruralistas e ambientais, sem deixar de lado a preservação do meio ambiente", disse.

O representante do CONAMA fez parte de uma comissão de ex-ministros do Meio Ambiente que foi a Brasília conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre os riscos da aprovação da proposta de Rebelo. "Dilma também está preocupada para que a lei seja equilibrada", contou.

Para Paulo Nogueira Neto, proteger as florestas é essencial porque a economia do carbono tem importância decisiva não só no Brasil, como em todo o mundo. "As mudanças climáticas tem muito a ver com a economia de madeira, que por sua vez está ligada com a questão florestal. Se quisermos reduzir o carbono que é lançado na atmosfera temos que concentrar nossos esforços em plantar árvores e conservar nossas florestas", defendeu.

"Defender o meio ambiente também significa a defesa da dignidade humana", afirmou. Sobre os recentes assassinatos de seringueiros que denunciavam desmatadores da Amazônia, Paulo Nogueira diz que o país precisa tomar medidas urgentes para manter a vida e a democracia. "Não é um problema tão recente, mas a opinião pública estava desinformada. Não tínhamos a ideia de que a situação estava tão ameaçadora como agora. E isso não pode passar em brancas nuvens", afirmou.

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