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Papel-Caca, a reciclagem radical

Liana John, de Seattle - Planeta Sustentável - 09/03/2011

Quem já cuidou de um cavalo sabe quanto esterco um único animal é capaz de produzir por dia.

Multiplique-se isso por dois ou três e se tem o volume aproximado produzido por um elefante diariamente. Para um zoo, dar conta de todo esse volume já é um problema, imagine então como fica uma parte da população da Tailândia, que cria elefantes de trabalho no quintal, quase como um membro da família.

Pois a criatividade de alguns tailandeses criadores de elefantes e o empreendedorismo de um canadense casado com uma tailandesa transformaram o problema em solução. Não, mais que isso: em um bom negócio! 

Como todos os animais herbívoros alimentados à base de pasto, os elefantes defecam alta quantidade de fibras vegetais. E fibras vegetais são matéria-prima para a fabricação de papel. Assim, foi só inventar um modo de higienizar e desodorizar as fezes e tratar as fibras de modo adequado para garantir o funcionamento da fábrica artesanal PooPoo Paper – cuja tradução para o português seria algo como Papel-Caca

Os primeiros testes de vendas foram feitos em 2003, na cidade de Toronto, no Canadá, terra natal de Michael Flancman, co-fundador da empresa (foto). O sucesso foi imediato! Como estratégia de marketing, ele concentrou então a distribuição de bloquinhos e cadernos de seu papel reciclado em lojas de zoológicos, de museus e de produtos naturais. 

“Os artesãos tailandeses já tinham uma longa tradição de fabricação de papel artesanal à base de cascas de árvore. O nosso diferencial foi perceber que as fezes de elefante são compostas quase exclusivamente por fibras tão boas para papel quanto as cascas de árvore”, conta Flancman.

“Encontramos também um nicho de mercado, onde nossos produtos provocam curiosidade e riso. E são consumidos tanto por crianças pequenas que gostam de elefantes como por adultos conscientes da importância do reaproveitamento de recursos naturais”.
 
Os bloquinhos da PooPoo Paper possuem capas feitas à mão com recortes coloridos, tingidos à base de vegetais como soja. Além dos dejetos de elefantes, hoje a empresa também fabrica papel com esterco de vacas e cavalos e já tem máquinas para dar conta da produção crescente, embora se mantenha a produção artesanal. Os bloquinhos são vendidos em sete países da Europa e da América do Norte. E Flancman promove sua marca em eventos como o Zoos e Aquários Comprometidos com a Conservação (ZACC), realizado nesta semana em Seattle, nos Estados Unidos.


Foto: Liana John

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