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estudo da ONU

Países ricos terceirizam emissões de CO2 para emergentes

Vanessa Barbosa - Exame.com - 22/01/2014

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[box-leia]A busca pela redução de custos na produção tem levado a um grave desequilíbrio na balança de responsabilidade pela emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o gás efeito estufa vilão do aquecimento global. Se a China é, hoje, um grande poluidor, isso não se justifica, apenas, por seus meios de consumo e produção internos.

É o que mostra uma minuta do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, o IPCC, obtida pelo jornal britânico The Guardian. Segundo o estudo, as emissões de gases efeito estufa estão sendo terceirizadas pelos países ricos para os emergentes.

O rascunho explora as consequências ambientais de economias interligadas e mostra como a alta das emissões na China e demais emergentes está relacionada à produção e exportação de dispositivos eletrônicos e roupas baratas para os Estados Unidos e a Europa.

De acordo com estudo obtido pelo jornal, as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa que aquecem o planeta cresceu duas vezes mais rápido na primeira década do século 21, do que nas três décadas anteriores.

Grande parte desse aumento originou-se da queima de carvão, diz o relatório. E muito desse carvão foi usado pelas usinas de energia na China e outras economias emergentes que produzem bens para os consumidores norte-americanos e europeus, o estudo acrescenta.

Desde 2000, as emissões anuais de dióxido de carbono da China e de outras economias emergentes mais do que duplicaram, chegando a cerca de 14 gigatoneladas (Gt) por ano. Mas cerca de 2 Gt deve-se à produção de bens para exportação. O quadro é semelhante para outras economias emergentes que produzem bens para exportação, conclui o relatório.

Na prática, a terceirização de produção não alivia a responsabilidade dos consumidores americanos e de outros países do hemisfério norte dos impactos ambientais de seus hábitos de consumo.

Uma versão editada do resumo da ONU de 29 páginas obtido pelo Guardian deverá ser publicada em abril.