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das águas para as prateleiras

Objetos encontrados na Baía de Guanabara são ″vendidos″ online

Vanessa Daraya - Planeta Sustentável - 20/03/2015

[img1][box-leia]A partir do Dia Mundial da Água (22/3), quem entrar no site Americanas.com em busca de um computador poderá encontrar um modelo de 200 mil reais. O preço é assustador e não se refere a um PC com tudo de mais inovador no mundo da tecnologia. Ao contrário: este é o valor de uma máquina antiga e destruída, que parece ter saído direto do lixo para as prateleiras virtuais da loja.

E foi quase isso. Na verdade, o computador não saiu de um lixo qualquer, mas das águas da Baía de Guanabara. De onde também saiu a bola de futebol ‘à venda’ no mesmo site por 50 mil reais. Mas quem topa pagar caro por produtos tão detonados, que ninguém mais quis?

Estes objetos e seus preços absurdos fazem parte da campanha "Achados da Guanabara - os presentes que a Baía de Guanabara nunca quis ganhar", lançada pela iniciativa Menos 1 Lixo e pela agência Staff.

A ação quer chamar a atenção para o descarte irresponsável do lixo e a poluição de um dos cartões postais da cidade do Rio de Janeiro. A ideia é conscientizar e ampliar a discussão sobre custos de limpeza e danos ambientais causados por objetos que vão parar não só nessa baia, mas em qualquer curso d’água (Leia aqui do lado sobre a campanha pela recuperação do Rio Carioca).

Para essa ação, uma equipe de mergulhadores da Brasil Divers retirou amostras do lixo que habita as águas da baía famosa e as reuniu em um catamarã. Foram encontrados um vaso sanitário, uma cadeira de praia, uma bola, o computador citado acima e, até, uma porta. Depois, esses objetos foram fotografados por Rogério Faissal para divulgação nos sites Americanas.com e Enjoei.com (este, vende só artigos usados) a partir deste domingo.

Mas, na verdade, não será possível comprar nenhum desses objetos! A venda é uma forma simbólica de mostrar quanto é necessário gastar para despoluir qualquer curso de água, inclusive a Baía. Os preços, que variam de 13 mil a 600 mil reais, foram calculados pelo biólogo Marcelo Szpilman e representam o tamanho do dano causado por cada material. Já imaginou?

A campanha é sensacional, realmente. Mas, durante conversa aqui na redação, nosso coordenador editorial, Matthew Shirts, fez uma ressalva: "A ação é um ótimo exemplo de ativismo ambiental pós-moderno, mas perdeu a oportunidade de ir além já que não comercializará, de fato, os objetos. Já pensou alguém engajado em causas ambientais poder exibir uma privada recolhida na Baía da Guanabara na sua sala?". É para pensar.

Não é possível comprar os objetos encontrados na Baía, mas eles podem ser visto em exposição no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, de 22 a 28 de março.

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