Notícias
excesso de peso

Obesidade saudável é um mito, diz pesquisa

Redação - Veja.com - 05/12/2013

[img1]

[box-leia]Uma pequena parcela de estudos sugere que alguns obesos podem ser tão saudáveis quanto pessoas magras, uma vez que não apresentem distúrbios metabólicos como pressão e colesterol altos ou diabetes. Um time de especialistas no Canadá, porém, alerta: isso é um mito. De acordo com esses estudiosos, pessoas com excesso de peso, mesmo livres desses problemas, têm maior risco de vida, chances de sofrer um ataque cardíaco ou AVC a longo prazo, em comparação com aqueles que estão no peso ideal.

“Essa informação sugere que o aumento do peso corporal não é uma condição benigna, mesmo com a ausência de problemas metabólicos, e é um argumento contra o conceito de obesidade saudável”, diz Ravi Retnakaran, professor associado da Universidade de Toronto, no Canadá, e um dos autores do estudo. Para os especialistas canadenses, portanto, todo o ganho de peso é prejudicial, podendo, por exemplo, aumentar ao longo dos anos os níveis de gordura acumulada no fígado e levar, no futuro, a um quadro de diabetes ou disfunção hepática.

A pesquisa se baseou nos dados de mais de 61 mil pessoas que foram acompanhadas ao longo de dez anos, em média. A equipe comparou o risco de vida, ataque cardíaco e AVC entre os participantes. De acordo com o estudo, pessoas com obesidade ou sobrepeso que não tinham problemas metabólicos apresentaram um risco 24% maior de infarto, AVC ou morte ao longo desse período do que participantes que estavam no peso ideal e livres de distúrbios do metabolismo. O maior risco de eventos cardíacos e morte foi apresentado por pessoas que algum problema metabólico, independentemente do peso.

Para Caroline Kramer, coordenadora do estudo, as pesquisas que sugeriram que uma pessoa obesa pode ser tão saudável quanto alguém que não tem excesso de peso olharam apenas para a relação entre o peso do individuo e o risco de doenças, sem avaliar a fundo a saúde metabólica deles. Outras pesquisas, diz ela, foram feitas com poucos participantes ou durante um curto período de tempo, o que pode prejudicar as conclusões. O estudo de Kramer foi publicado nesta terça-feira no periódico Annals of Internal Medicine.