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O novo boom ou o fim da epidemia de Aids?

Georgiana Braga-Orillard - Brasil Post - 18/03/2014

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[box-leia]Pela primeira vez na história, podemos imaginar o fim da epidemia de Aids. O diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, anunciou em dezembro de 2013 que projetava o fim da epidemia em 2030 como um objetivo que todos devemos tentar alcançar. Esse objetivo, entretanto, será atingido somente com um foco muito forte em direitos humanos.

Estima-se que hoje no Brasil aproximadamente 150 mil pessoas vivam com o HIV sem saber. Quarenta mil pessoas se infectaram pelo vírus somente em 2012. A detecção de Aids em jovens de 15 a 24 anos cresce em praticamente todas as regiões do país.

O Brasil foi um dos pioneiros em oferecer tratamento antirretroviral. O tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde e é de excelente qualidade. Apesar disso, quase 12 mil pessoas morreram devido à Aids em 2012. Muitas vezes, é no momento do óbito que se é detectado o vírus.

Ainda hoje, com 30 anos de epidemia, o preconceito é a maior barreira contra sua eliminação no Brasil e no mundo. Nesses 30 anos, aprendemos que saúde e direitos humanos estão intrinsecamente ligados. Temos que defender os direitos humanos. É inaceitável que em 2014 ainda tenhamos preconceitos de gênero, raça e orientação sexual. É inaceitável que profissionais do sexo, mulheres, meninas, gays e outros homens que fazem sexo com homens, travestis e transexuais ainda sofram violência e sejam assassinados. É inaceitável que pessoas vivendo com o vírus sejam discriminadas de qualquer forma.

Mulheres que sofrem violência doméstica têm 50% mais chance de contrair o vírus que o restante da população. Homens que fazem sexo com homens têm um risco 13 vezes maior que o resto da população. É o mesmo risco que correm as profissionais do sexo. O teste positivo ainda é visto como uma sentença de ostracismo da sociedade. Discriminação e preconceito levam a comportamentos de risco. Levam ao medo de se prevenir. Levam ao medo de se testar, o que, consequentemente, levam as pessoas a adiar o tratamento.

O Artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos". Somos todos iguais e somente fazendo valer esse direito chegaremos ao fim da epidemia. Somente com foco em direitos humanos chegaremos ao objetivo de zero nova infecção por HIV, zero discriminação e zero morte relacionada a Aids.

O momento é agora. Que lado escolheremos? O Brasil pode evitar o novo boom e considerar o fim da epidemia em um futuro próximo.

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