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MMA conta como começou a adequar seu prédio

Sucena Shkrada Resk - Planeta Sustentável - 29/08/2011

Barris e grandes carretéis de fiação elétrica se transformaram em mesas e discos de vinil, em luminárias. Os banners que não tinham mais serventia para a publicidade revestiram as cadeiras; e as divisórias tiveram o tratamento acústico com listas telefônicas. Já as paredes receberam o revestimento com lona de caminhão. Onde aconteceu tudo isso? Em espaços implementados no prédio do MMA - Ministério do Meio Ambiente*. Essa experiência foi citada por João Luiz Valim Batelli, coordenador da gestão administrativa SPOA, da pasta, durante esta manhã, no Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo 2011*, em São Paulo, que prossegue até o próximo dia 31. 

De acordo com o gestor, a partir de 2004, começaram as readequações do edifício do ministério, em Brasília, em função dos marcos legais da construção pública sustentável. "Nessa época, encontrei problemas de estrutura no prédio, com infiltrações, oxidação e rachaduras. Havia o costume de se colocar também móveis nas rotas de fuga". Segundo ele, uma juíza chegou a cobrar ações do MMA, já que o mesmo cobrava regras aos demais. 

Batelli afirmou que as intervenções tiveram o apoio da Academia, por meio de mestrandos da UnB - Universidade de Brasília e de pesquisadores da USP - Universidade de São Paulo, além do Procel* e da A3P - Agenda Ambiental na Administração Pública*.

Com isso, foi reduzido o número de lâmpadas, houve a adoção de telhados brancos e com proteção térmica, e instalação de película nos vidros para diminuir a radiação. "Também colocamos uma caixa d´água de 120 mil litros, tendo em vista que o período de chuvas é só de seis meses, e há necessidade de reaproveitamento das águas".

Essas modificações, segundo ele, resultaram na redução de consumo de energia elétrica em 11%. "Com a correção de vazamento e uso de água da chuva, a economia foi de 36,6%. Isso significa R$ 900 mil de economia anual e o retorno do investimento das reformas no prazo de oito anos".

O novo prédio do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em Brasília, deverá ser construído no novo conceito. "O prédio terá reaproveitamento de água de chuva, tratamento de águas servidas, esgoto à vácuo e paisagismo com espécies locais, além de telhado verde", adiantou o coordenador.

Segundo ele, conforme dados do Ministério do Planejamento, a perda de recursos com projetos mal elaborados e falta de manutenção é três vezes maior do que a perda com superfaturamento.

Batelli explicou que apesar de as diretrizes gerais para as condições básicas para a construção, conservação e demolição de edifícios públicos estarem fundamentadas no Decreto 92.100/85, somente com a Instrução Normativa nº 1, de janeiro de 2010, houve o estabelecimento dos critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela Administração Pública Federal direta, autárquica e das fundações.

Leia também:
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*Greenbuilding Brasil
*A3P
*Instrução Normativa nº 1 
*MMA 
*Procel Edifica
*Decreto 92.100/85 

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