Notícias
proteção efetiva

Máscaras antipoluição da China guardam segredo inconveniente

Vanessa Barbosa - Exame.com - 27/03/2014

[img1]

[box-leia]As máscaras antipoluição estão por todos os lados na China, em formas, cores e materiais diferentes. Mas esta obsessão nacional guarda um segredo inconveniente, que coloca o setor numa tremenda saia justa. Nem todas entregam o que prometem, apenas uma minoria é eficaz.

Esta é a conclusão de um relatório da Associação do Consumidor da China (CCA), que avaliou a eficácia de 37 tipos de máscaras contra poluição adquiridas no mercado chinês, tanto em lojas físicas quanto virtuais. A constatação: somente 9 delas passaram no teste de proteção contra as partículas nocivas de poluentes em suspensão na atmosfera.

Pior, mesmo máscaras mais caras, que podem custar até 30 dólares, tiveram desempenho comparável aos de máscaras descartáveis, que valem centavos. O resultado, naturalmente, abala a credibilidade de uma indústria que movimenta quantias vultosas de dinheiro com um produto que praticamente virou acessório.

Em números aproximados, as máscaras faciais, ou "kouzhao", movimentaram perto de 160 milhões de dólares, em 2012. A maior parte é produzida na localidade de Dadian, na província chinesa de Shandong, onde 300 oficinas respondem por 80% dos protetores mais comuns vendidos no país, segundo a Reuters.

Muitas empresas dizem que suas máscaras reduzem o material particulado em 99%. Porém, segundo o relatório da CCA, as máscaras reprovadas não filtram as partículas mais nocivas de poluição, as chamadas PM2.5.

Principais vilãs para a saúde, essas micropartículas de poeira, que medem apenas 0,0025mm, resultam da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e das usinas a carvão. Imperceptível a olho nu, o material particulado não encontra barreiras físicas — afeta o pulmão e pode causar asmas, bronquite, alergias e outras graves doenças cardiorrespiratórias.

Estimativas da ONU apontam que a poluição seria a causa de 350 mil a 500 mil mortes prematuras por ano na China.

CADÊ O PADRÃO DE QUALIDADE?
Se a situação da indústria chinesa de máscaras faciais parece fora do controle, saiba que ela realmente está. Isso se deve, em grande medida, à falta de um padrão nacional de qualidade para máscaras de uso civil, hoje uma exclusividade dos produtos de aplicação clínica ou industrial.

"O mercado de máscaras para uso civil na China é caótico, com vendas de baixa qualidade e máscaras falsas", disse ao site ShanghaiDaily Zhao Danqing, diretor executivo da Sinotextiles Co, um dos maiores produtores de máscaras especiais do país.

"E as máscaras para uso industrial não são adequadas para pessoas como idosos, crianças e mulheres grávidas", complementou. Segundo o site, a Associação Chinesa de Indústria Têxtil terminou um projeto de proposta sobre máscaras para utilização civil, que deverá ser submetido ao governo para criação de um padrão, mas o tempo para a aprovação da norma é desconhecido.

Tags: