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alterações climáticas

Mais pobres têm pressa na COP 19, já os ricos...

Vanessa Barbosa - Exame.com - 18/11/2013

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[box-leia]Com toda crise, vem uma oportunidade. A tragédia das Filipinas deu a chance para os governos dos países desenvolvidos e dos em desenvolvimento mostrarem sua determinação de agir. Ao que parece, os mais pobres têm um ímpeto maior, já que estão na linha de frente das catástrofes. Todos os 48 países menos desenvolvidos do mundo (PMD), dos quais 33 são africanos, finalizaram um conjunto de planos para lidar com os impactos das mudanças climáticas.

Com estes planos, que integram os Programas Nacionais de Ação para Adaptação (Napas, na sigla inglês), os países pobres se tornam mais aptos a avaliar os impactos imediatos das mudanças, como secas e inundações severas, e identificar o que precisam para se tornarem mais resistentes ao clima e seus efeitos.

Segundo a ONU, um bom planejamento é essencial para capacitar as regiões mais vulneráveis para lidar com as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, o suporte dado hoje a esses países é inadequado e deve, urgentemente, ser intensificado. Preocupação que foi transformada em apelo emocionante feito pelo embaixador Yeb Sano, que chorou em comoveu o mundo com seu discurso na COP 19.

Sem essa ajuda, os projetos de adaptação em curso podem sucumbir. Camboja, por exemplo, trabalha para tornar o seu abastecimento de água e agricultura mais resistente. E Samoa pretende reforçar a infraestrutura das comunidades que dependem do turismo. Pelo menos 1,4 mil milhão de dólares em financiamento adicional seria necessário para garantir o sucesso da implementação desses projetos.

FINANCIAMENTO CLIMÁTICO
Não há dúvidas de que o aquecimento global é um problema financiado pela humanidade, ou para ser mais justo, pelos bilhões de dólares que os países ricos investem todos os anos em combustíveis fósseis. A expectativa é que, durante a COP 19, a reunião da ONU sobre clima, o tópico “financiamento climático” progrida.

Em geral, o que se vê é a resistência dos países desenvolvidos em assumir a parte que lhes cabe na criação de um fundo verde para ajudar os países mais vulneráveis a se adaptarem às mudanças climáticas.

Com as doações atuais, o fundo está mais para uma vaquinha. De acordo com um relatório feito pela Oxfam, o financiamento climático foi de apenas US$ 7,6 bi em 2013, um valor muito abaixo da meta de US$ 100 bilhões que costuma ser defendida nas COPs.

Somente em subsídios para combustíveis fósseis, nações ricas como os Estados Unidos e a Inglaterra costumam gastar até US$ 90 bilhões por ano.