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Madeira ilegal ainda é um desafio no Brasil

Sucena Shkrada Resk - Planeta Sustentável - 31/08/2011

O desmatamento ainda alimenta significativamente um mercado irregular no Brasil. Estima-se que 48% da madeira utilizada no país seja de fonte ilegal. "Esse dado ainda é bastante impreciso, mas é muito expressivo. O governo brasileiro já chegou a mencionar que o percentual seria na casa dos 70%". O alerta foi passado por Fabíola Zerbini, secretária-executiva da FSC - Forest Stewardship Council Brasil*, nesta terça-feira (30), durante o Greenbuilding Brasil - Conferência Internacional & Expo 2011*. A instituição, de origem canadense, atua na certificação florestal e incentivo a planos de manejo e tem representações em mais de 70 países.

Segundo ela, é importante destacar ao mesmo tempo, que aos poucos se amplia o mercado consciente, que adquire madeira legal (com plano de manejo, que prevê uso contínuo, aprovado pelos órgãos competentes) ou de origem certificada (que atende critérios socioeconômicos e ambientais adicionais). Além do FSC, outra organização reconhecida no país para essa atribuição, é o PEFC - Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemes*.

"Para certificarmos, vamos além da legislação do setor. Entre os critérios, por exemplo, estão as relações com a comunidade e o cuidado estabelecido na co-gestão de impactos não só a indígenas e quilombolas, mas a pessoas na zona urbana. Já no aspecto trabalhista, o de respeito à questão de gênero, com equiparação de salários", explicou.

Mais um aspecto relevante, de acordo com Fabíola, é de o plano de manejo não permitir o uso de químicos e pesticidas para florestas plantadas, que hoje estão dividas em eucaliptus (73%) e pinus (27%), o que corresponde a 117 milhões de m3 produzidos, sendo mais da metade para a fabricação de papel e celulose. "Há exceções, somente se for indispensável. Ao mesmo tempo, ao se submeter à certificação, a empresa não poderá ter convertido florestas nativas em plantadas. Até o ano que vem, o FSC-Brasil deverá apresentar um case de manejo comunitário.

Para haver a rastreabilidade dos produtos que têm origem certificada, o mecanismo utilizado é de colocar um número de identificação no mesmo, cuja informação pode ser acessada no site http://www.info.fsc.org . "Hoje, no Brasil, cerca de 5% da madeira é certificada. São 6,5 mi ha".
Uma das dificuldades para se ampliar a certificação, na opinião dela, esbarra na falta de estrutura do governo brasileiro. "Às vezes, para aprovar um plano de manejo, demora de quatro a 10 anos".

"No caso de uso legal, em 2009, foram 14,2 mi m3, sendo 10% para a construção civil, sendo o maior percentual serrada (72%), que pode ter uma série de destinos; beneficiada (15%) e transformada em painéis e laminados (13%)", disse a secretária-executiva do FSC. 

*Greenbuilding Brasil
*FSC Brasil
*PEFC 

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