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Incêndio em Ilhabela: fogo atinge trilha de ecoturismo no Parque Estadual

Redação - Brasil Post - 03/02/2014

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[box-leia]Um incêndio, que segundo bombeiros e a Polícia Ambiental teve origem criminosa, consumiu cerca de 15 hectares de vegetação, atingindo o Parque Estadual de Ilhabela na noite passada. O fogo começou no meio da tarde, em propriedades do bairro do Engenho D'Água. Um verão atípico, extremamente seco, criou condições para que as chamas se alastrassem rapidamente em direção ao parque, atingindo a trilha de ecoturismo que leva ao Pico do Baepi e chegando à cota de 240 metros aos pés da montanha.

Ontem, no final da tarde, o Corpo de Bombeiros enviou duas viaturas e oito soldados para o local, que contaram ainda com a ajuda de quatro membros da Polícia Ambiental, três funcionários do Parque Estadual de Ilhabela e dois voluntários. Os trabalhos se estenderam até as 3h desta madrugada. Segundo estimativas do Corpo de Bombeiros, foram queimados cerca de 15 hectares. Há registros de fauna afugentada e animais mortos, incluindo répteis como cobras e lagartos, além de mamíferos como tatu e gambá, aves e microfauna. A área afetada era dotada em grande parte de vegetação pioneira, como gramíneas, sapê, além de áreas menores de mata em estágio ide recuperação, com várias mudas de espécies pioneiras, como Embaúbas e Cambucis.

Segundo o Capitão Danilo Godoy, que comanda o Corpo de Bombeiros no litoral Norte e coordenou os trabalhos, as queimadas no local são crônicas, em geral causadas por proprietários que querem "limpar" seus terrenos."Toda vez que detectamos um problema como esse, que se repete, solicitamos ao órgão competente uma providência definitiva. Por isso vamos enviar ofício à Fundação Florestal, que administra o Parque de Ilhabela, para que implante um aceiro no local o mais rapidamente possível", afirmou Godoy.

O aceiro é uma faixa de 3 metros de largura, deliberadamente desmatada e mantida sem qualquer vegetação. Além de conter o fogo ela também evitaria outra consequência desses incêndios: o aumento das "vossorocas", enormes erosões que se ampliam com a perda da vegetação, e podem causar desmoronamentos sobre as casas dos bairros do Itaquanduba, Engenho D'Água e Morro dos Mineiros. Para minimizar esses impactos a Fundação Florestal, que administra o Parque Estadual, está firmando parceria com a ONG Ilhabela.org, que há anos tenta viabilizar um projeto de plantio de espécies nativas da Mata Atlântica para recuperação dessa mesma área, além da implantação de aceiros que impeçam que o fogo se espalhe.

Segundo o diretor regional da Fundação Florestal, Rodrigo Victor, a recuperação da área é importante, não só do ponto de vista ambiental, mas também social. "As características da região são de solo raso, com rochas por baixo e grandes erosões. Com a ocorrência de chuvas, este quadro pode resultar em deslizamentos. Este é um problema não só ambiental, mas também, social. Por isso, é necessário envolver outros órgãos, como o Instituto Geológico e Defesa Civil, para que o local seja caracterizado como área de risco."

Um Auto de Constatação de Infração Ambiental (ACIA) foi aberto, a Polícia militar Ambiental foi acionada e registrado um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil que se encarregará de apurar denúncias e responsabilidades sobre o caso. O ato será baseado na Lei 9.605, que define os crimes contra o meio ambiente: no artigo 38, que fala de crimes em áreas e preservação permanente, e no artigo 40, que trata dos crimes em unidades de conservação.

O Major Luiz Alberto Rodrigues da Silva, Comandante Interino do 11 Grupamento do Corpo de Bombeiros, que abrange todo o Vale do Paraíba e o litoral norte, também destacou a importância de enviar um Relatório de Análise Crítica à Fundação Florestal, subordinada à Secretaria do Meio Ambiente do Estado, solicitando a mais rápida implantação de um aceiro no local. "Assim, esperamos que num prazo de dois a três meses, os órgãos públicos tomem as providências necessárias", afirmou.