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Acordo do clima entra na reta final

Renata Vieira - EXAME.com - 10/12/2015

[img1] A um dia do fim da COP21, o clima não poderia ser outro: o de contagem regressiva. Com 29 páginas, o novo rascunho do acordo de Paris, tornado público na tarde de quarta-feira, foi discutido por mais de dez horas. Depois de uma sessão plenária de cerca de três horas na noite de ontem, diplomatas e ministros deixaram o Le Bourget, espaço onde ocorre a Conferência do Clima, por volta das sete da manhã desta quinta (10). Madrugada a dentro, o objetivo foi destrinchar os pontos essenciais do tão esperado acordo do clima.

Três elementos vêm tirando o sono dos negociadores, literalmente: meta de temperatura, diferenciação de compromissos entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento e o financiamento, que, em outras palavras, significa saber quem paga a conta do aquecimento global. As polêmicas, no entanto, são antigas: há vinte e três anos, os mesmos pontos são exaustivamente discutidos. Ao que parece, um possibilidade de não-acordo dessa vez é remota. "Estão reunidas todas as condições para que tenhamos um acordo", afirmou um dos negociadores.

Ainda segundo o negociador, o Brasil tem defendido o teto de 2°C na elevação da temperatura da Terra, em direção ao patamar de 1,5°C - proposta amplamente defendida pelas ONGs. O que se sabe é que a soma das propostas de todos os países permite que a temperatura do planeta aumente em até 3,5°C. Diante do impasse, a solução está em uma possível revisão de metas a ser feita em 2018, dois anos antes do ponto de partida previsto para o acordo. A diplomacia brasileira defende que, depois de 2020, metas e compromissos sejam revisados a cada cinco anos. A posição é a mesma adotada pelos Estados Unidos - já a União Europeia propõe uma janela de dez anos.

Embora o Painel Intergovernamental de Mudança Climática da ONU (IPCC) seja claro sobre a necessidade de mitigarmos, no mínimo, 40% emissões até 2050, o acordo de Paris deve limar um número como esse do texto. "Já vimos que uma meta colocada de cima para baixo não funciona", afirmou um negociador. "Dessa vez, a dinâmica é diferente e as metas de mitigação estarão sob o guarda-chuva de cada país", diz.

Também não está claro o volume de dinheiro que será repassado pelos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento - nem mesmo quais serão os países contribuintes, já que emergentes como China e Brasil, por exemplo, poderiam fazer repasses voluntários a países mais pobres. O Itamaraty defende que as regras estabelecidas pela Convenção da ONU em 1992 - que separa os países de acordo com o tamanho de suas economias e histórico de emissões - sejam mantidas, e que países como o nosso só realizem repasses se quiserem.

A atmosfera é de esforço geral. A promessa é que um texto definitivo seja apresentado amanhã à noite - o que não descarta, porém, a chance do "habemus acordo" ser proclamado apenas no domingo. Por ora, há esperança.

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