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Gibson Guitars sob suspeita de compra ilegal de madeira

Vanessa Barbosa - Exame.com - 05/09/2011

Sonho de consumo de muitos aspirantes à vida musical, a lendária guitarra Gibson, usada por nomes como B.B King e Frank Zappa, está no meio de uma polêmica ambiental nos Estados Unidos. Segundo a mídia internacional, a marca está sendo investigada por importações ilegais de madeira para confecção de seus instrumentos.

De acordo com o Wall Steet Journal, embora não haja registro formal de denúncias, algumas fábricas da Gibson no estado do Tenessi receberam visitas inesperadas de agentes federais na semana passada. A suspeita era de que a compra de ébano, uma madeira nobre exportada da Índia para a Gibson, tinha sido "fraudulenta" e "rotulada para esconder uma violação do direito das exportações indianas".

De acordo com o jornal, o diretor executivo da empresa, Henry Juszkiewicz, disse em entrevista que algum corretor provavelmente cometeu um erro na rotulagem dos produtos, mas que a venda era legal e aprovada pelas autoridades indianas. E não se trata de um caso isolado. Segundo o site NPR, as instalações de duas fábricas da empresa, em Nashville, sede da Gibson, teriam sido inspecionadas e fechadas pelos agentes em 2009, sob as mesmas suspeitas de importação irregular. Na ocasião, um carregamento inteiro que vinha de navio das ilhas de Madagascar também foi apreendido.

Em ambos os episódios, as ações dos agentes do FBI se sustentam na lei Lacey, em vigor desde 1900, que combate o tráfico ilegal de animais e plantas. Em 2008, a lei foi expandida para incluir produtos feitos a partir de plantas e árvores. Desde então, empresas que trabalham com produtos em madeira precisam verificar se eles são exportados sem violação das leis do país de origem, além de provar, por meio de documentos, a origem certificada.

Em nota à imprensa sobre a inspeção ocorrida no dia 24 de agosto, a Gibson diz que as acusações são frutos de uma interpretação equivocada das leis indianas e que a empresa vai lutar para provar sua inocência. O comunicado também afirma que a madeira de ébano apreendida pela justiça americana, como todas as outras madeiras usadas pela empresa, é certificada pelo Conselho de Governança Florestal (FSC, na sigla em inglês) um grupo respeitado sem fins lucrativos.

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