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Frédéric Druot fala sobre retrofit e sustentabilidade

Redação - Casa.com.br - 13/08/2014

[img1][box-leia]Suas palestras sempre começam com a foto de um casal se beijando. “Quero, assim, falar do prazer que precisamos oferecer às pessoas, pois tratamos daquilo que mais importa ao homem depois do amor: o habitar. Toda arquitetura deveria iniciar com a vontade de ser generosa”, afirma Frédéric Druot, que ganhou destaque, em 2001, graças à reformulação (em parceria com o escritório Lacaton Vassal) do Tour Bois le Prêtre, conjunto habitacional erguido em Paris no pós-guerra.

O que a transformação do Tour Bois le Prêtre diz sobre seu trabalho?
[img2]É um emblema de nossa atitude frente à evolução das cidades, à capacidade de transformação de suas arquiteturas, à qualidade habitacional e, também, ao prazer de morar e à economia – como gastar menos e doar mais. Trata-se de um manifesto de atenção às pessoas e ao entorno. Da mesma forma, estou apegado a outro estudo que fizemos, sobre uma metamorfose da Rocinha, no Rio de janeiro. um pouco à maneira dos grandes conjuntos habitacionais europeus, mas muito mais estigmatizadas, as favelas são mal-amadas essencialmente por aqueles que não vivem nelas. Acredito na viabilidade de essas organizações realizarem mudanças magníficas com pouco dinheiro, sem perder a própria identidade e seus laços urbanos.

Como um projeto pode ajudar moradias de baixa qualidade?
Ampliando a área, a luminosidade e a visão de fora e trazendo conforto, acessibilidade, mais serviços e facilidades de uso. Isso significa conseguir coisas simples, como oferecer uma varanda para cultivar plantas e pegar um pouco de sol ou integrar a cozinha, além de organizar os espaços comuns, para que as crianças brinquem sem incomodar os vizinhos, e desenhar cômodos suficientemente espaçosos, que comportem a família inteira num domingo.

Seu escritório questiona a necessidade de colocar abaixo um prédio para erguer outro. Como imprimir sua marca em edifícios existentes?

Optar por demolir e reconstruir representa investimentos muito superiores aos de uma reforma, e a energia consumida vai na direção oposta das preocupações ecológicas atuais. Fora isso, os edifícios originais já constituem a diversidade de uma cidade, sua riqueza social e cultural. Portanto, é uma postura ao mesmo tempo política, social, econômica e sustentável. A meu ver, substituir um bairro ou imóvel configura uma decisão fácil e preguiçosa dos urbanistas e órgãos públicos. As demolições agravam a especulação fundiária. Façamos a cidade com o que ela já tem, ransformando-a passo a passo, sem nos preocupar com o estilo arquitetônico. Isso não existe – as favelas são as favelas. o Tour Bois le Prêtre não consiste num estilo arquitetônico, e sim num imóvel generoso para aqueles que o habitam agora. É, sobretudo, a ideia de projeto que me atrai, mais do que a obra em si. o conceito de projeto implica posicionamento social, estético e político e pede um engajamento que vai além da prática estrita da arquitetura. o Tour Bois le Prêtre exemplifica isso.

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