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Estudo avalia impacto do crescimento desordenado no delta do Amazonas

Karina Toledo - Agência Fapesp - 03/11/2014

[img1][box-leia]Cerca de 90% das cidades situadas no estuário do Rio Amazonas possuem menos de 20 mil habitantes, infraestrutura bastante precária, pouca oferta de serviços e de oportunidades de emprego. Ainda assim, na última década, têm atraído grande quantidade de migrantes vindos de comunidades ribeirinhas próximas, resultando em um processo de ocupação intenso e desordenado.

Investigar como ocorrem os fluxos de migração na região e seus impactos socioeconômicos e ambientais é o objetivo de um projeto que reúne pesquisadores brasileiros e americanos e conta com financiamento da FAPESP no âmbito de um convênio com o Belmont Forum, grupo multinacional de instituições de fomento à pesquisa sobre mudanças globais.

Alguns dos primeiros resultados foram apresentados no dia 28 de outubro, em Washington (Estados Unidos), durante o simpósio FAPESP-U.S. Collaborative Research on the Amazon* pelos coordenadores Sandra Maria Fonseca da Costa, da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), e Eduardo Brondizio, da Indiana University, nos Estados Unidos.

"Notamos que, dentro da rede urbana da Amazônia, essas cidades têm importância fundamental. Elas funcionam como salvaguardas para a população ribeirinha, pois, apesar das deficiências, possuem escolas de ensino fundamental e médio, postos de saúde e são contempladas por benefícios sociais governamentais", disse Costa.

De acordo com a pesquisadora, o fluxo de migração é predominantemente regional - mobilizando habitantes em um raio de até 100 quilômetros de distância. São pessoas vindas de comunidades ainda menores e mais carentes de serviços básicos.

"Ao chegar a essas cidades, constroem casas em qualquer lugar e em condições degradantes. Ocupam áreas de várzea, lançam os efluentes domésticos, sem qualquer tratamento, em rios e córregos, nos mesmos locais em que a população busca água para beber, cozinhar e lavar roupa. Essas pequenas cidades crescem a uma velocidade absurda e todos os problemas associados a esse fenômeno se multiplicam dia após dia sem qualquer política pública específica", disse Costa.

Embora a pesquisadora reconheça ser impossível para o poder público controlar o crescimento de uma cidade, ela defende que o processo seja ao menos monitorado e norteado. "É preciso interferir para melhorar a qualidade de vida da população e observamos que isso não tem ocorrido", disse Costa.

A professora da Univap tem se dedicado a estudar o tema desde 2007, quando realizou seu pós-doutorado na Indiana University, sob a supervisão de Brondizio. Em um primeiro projeto de Auxílio Regular apoiado pela FAPESP, o foco da pesquisa foi o município de Ponta de Pedras, localizado na Ilha de Marajó, no Pará. Leia a reportagem completa neste link.

*FAPESP-U.S. Collaborative Research on the Amazon

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