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Se essa rua fosse nossa...

Debate sobre ocupação de espaço público ferve em Brasília

Arthur H. Herdy - Veja Brasília - 12/02/2014

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Começa a ferver um debate sobre a utilização de espaços públicos em Brasília. O Calçadão da Asa Norte é um dos focos. De um lado está a Associação dos Proprietários e Moradores da Orla do Lago Norte. Ela entregou ao governo um documento com mais de 1 mil assinaturas.

Uma das ideias do grupo é cercar o lugar — polo de grandes eventos ao ar livre — e restringir o acesso. Em contrapartida, circula na internet uma petição on-line contra as medidas propostas. Até quinta-feira passada, 06/02, a página contabilizava mais de 4 600 apoiadores. Leia aqui duas opiniões de envolvidos no imbróglio.

"Nossa maior reclamação diz respeito ao barulho gerado pelos eventos e por turmas que frequentam o local. Os moradores não querem tomar posse do lugar ou privatizá-lo. É legítimo que os cidadãos reivindiquem pontos de lazer e diversão, mas tão legítimo quanto isso é o direito ao sossego dos que habitam as áreas vizinhas.
Com os decibéis em alta, perde-se o sono. Somam-se a isso o estresse, o aumento de pressão arterial e o desgaste em realizar uma denúncia.

Existem ainda questões como estacionamento irregular, bloqueio das pistas, destruição dos gramados e produção de lixo. Não há área pública em nenhum endereço do mundo na qual as pessoas fazem o que querem, do jeito que querem e na hora que querem. Isso ocorre apenas no Calçadão. É necessário arrumar uma maneira de fazer um uso consensual e normatizado desse espaço."

Benedito Antônio de Sousa, presidente da Associação dos Proprietários e Moradores da Orla do Lago Norte (APLOL)

"Promover o cercamento de um espaço público seria um retrocesso enorme para a cidade. Isso acaba gerando um custo elevado para o estágio em que nos encontramos, de desenvolvimento de uma capital cosmopolita. Essa ação radical perpetua uma maneira antiga e arcaica de lidar com as questões: "Não entendo, logo não pode".

Isso vem de um grupo que se vale de influência nas esferas mais altas do governo. Nós ajudamos a pôr aquela área em evidência. Hoje ela é heterogênea e democrática. Afinal, que outro lugar da orla tem um ponto de ônibus a 300 metros? Vamos continuar com a petição e, se tudo der certo, ter a oportunidade de contra-argumentar os pontos."

Miguel Galvão, um dos organizadores do Picnik, evento sediado oito vezes no Calçadão