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Corte de madeira tira valor produtivo de floresta

Jlio Bernardes - Agncia USP - 08/08/2011

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, pesquisa avalia o impacto da coleta de madeira no valor produtivo futuro de uma rea de floresta na Amaznia. Os resultados do trabalho mostram que as espcies com maior interesse comercial no conseguem repor o volume retirado dentro do ciclo de corte estabelecido pela lei (30 anos), o que reduz seu valor mesmo com a adoo de prticas de manejo com baixo impacto ambiental.

A pesquisa analisou a sustentabilidade da produo de madeira na Amaznia Oriental. No local so realizadas medies da mortalidade das rvores e de seu crescimento aps o manejo, afirma o professor da Esalq, Edson Vidal, que estuda a regio desde 1993. A rea avaliada, localizada no municpio de Paragominas (Par), possui 200 hectares de extenso, divididos em setores de explorao com impacto reduzido por melhores prticas de manejo florestal (100 hectares), explorao predatria (70 hectares) e uma rea testemunha, com a floresta original preservada (30 hectares).

Dentro do sistema de explorao com impacto reduzido realizado um inventrio das espcies de maior valor comercial. Em seguida, a retirada da madeira planejada da melhor forma possvel, o que inclui estradas, ramais de arraste, estocagem e corte de cips para reduzir danos, conta o professor. So retiradas de trs a cinco rvores adultas por hectare, com mais de 50 centmetros de dimetro. A explorao predatria no tem planejamento, torna a rea mais receptiva a incndios e com maior incidncia de ventos, enquanto o setor preservado se manteve intacto.

A partir dos dados coletados na floresta, a pesquisa estimou se a recuperao das espcies conseguiria acompanhar o ciclo de corte estabelecido pela legislao, que de 30 anos. As espcies de maior valor, que possuem poucos exemplares, tem um ciclo de crescimento mais lento, e podem no conseguir recuperar todo o volume que foi retirado no prazo previsto pela lei, no conseguindo manter em consequncia seu valor produtivo, ressalta Vidal. Entre essas espcies esto o ip roxo (Tabebuia impetiginosa), jatob (Hymenaea courbaril), freij cinza (Cordia goeldiana) e o cedro vermelho (Cedrela odorata).

MANEJO
Durante o ciclo de corte, espcies com menor valor comercial que tem crescimento mais rpido, tambm chamadas de pioneiras, acabam por tomar o lugar das rvores mais valorizadas, empobrecendo a floresta. Esse deslocamento pode desencadear uma presso pela concesso de novas reas de manejo, alm de estimular o corte ilegal, alerta o professor. Algumas das espcies com menos valor so a sumama (Ceiba pentandra), o paric (Schizolobium amazonicum) e a copaba (Copaifera sp).

Para evitar que o manejo sustentvel da floresta perca valor, a pesquisa sugere que os ciclos de corte sejam alongados. Assim seria possvel criar condies para que as espcies com poucos exemplares consigam se recuperar adequadamente, afirma Vidal.

O professor da Esalq observa que o Brasil vem realizando um programa ambicioso de concesso florestal na Amaznia e a explorao sustentvel vem se mostrando rentvel devido a madeira disponvel no primeiro ciclo de corte, algo que no permanecer nos futuros ciclos Para assegurar o valor produtivo da floresta, preciso alm da adoo de prticas de manejo com menor impacto, adequar os ciclos de corte por espcies ou grupos de espcies e, consequentemente, a legislao, aponta.

Os resultados das pesquisas na Amaznia esto reunidos em um artigo a ser publicado na revista europeia Land Use Policy. Os estudos tiveram a colaborao de pesquisadores das Universidades da Florida e do Oregon (Estados Unidos) e do Instituto Floresta Tropical, sediado em Belm (Par).

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