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experiências internacionais

Construção sustentável requer diagnóstico local

Sucena Shkrada Resk - Planeta Sustentável - 31/08/2011

As experiências internacionais que integraram, neste mês, o 4º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, realizado em São Paulo, pelo CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável*, destacaram a necessidade de que os projetos não se distanciem dos diagnósticos dos problemas locais e da integração com a comunidade. 

Cheng-Li Cheng, professor-doutor da National Taiwan University of Science and Technology, contou que lá, foi criado um observatório de água, tendo em vista, as estações chuvosas intensas entre junho e agosto. O plano de estratégia nacional visa combater as enchentes e mantém um serviço de emergência, que tem, inclusive, acesso público ao sistema de alerta, via internet. 

Em Taiwan, também é desenvolvido o Greenbuilding, desde 1999, coligado à conservação de água. “O governo já forneceu cerca de 1 mil selos de Greenbuilding a empreendimentos locais. A meta é a redução de 20% do consumo de água nos prédios verdes e, nesse sentido, se faz o reuso de água, por meio de captação de água de chuva. A iniciativa, entretanto, ainda é de difícil implementação nas áreas urbanas, segundo ele, o que exige a intensificação da comunicação com a sociedade local.
 
Afroditi Synnefa, Doutora em Física Ambiental, pesquisadora da Universidade de Athenas e do Conselho Europeu sobre Coberturas Frias, relatou o case sobre telhados brancos, utilizados nas Ilhas Gregas, para o desaquecimento. “Também é desenvolvido o material frio, com qualquer tipo de cor, inclusive, preto, que resulta em 27% de redução do calor". 

Segundo a especialista, há uma menor fadiga dos materiais, com os tetos frios ou resfriados. “Existem spectrômetros, equipamento para emissão termal, entre outros, mas exigem mais estudos de novas tecnologias. As intempéries climáticas e a idade do material podem afetar a capacidade do resfriamento”. A aplicação, no caso do Brasil, em sua avaliação, tem o desafio de solucionar antes o aumento de crescimento biológico, decorrente da característica geoclimática. 

Uma das soluções trazidas pelo urbanista Trent Lethco, associado ao Arup, escritório internacional de Planejamento Urbano e Projetos em Arquitetura e professor da Universidade de Columbia, na Escola de graduação em Arquitetura, Planejamento e Preservação, foi um projeto desenvolvido no centro financeiro nova iorquino, no Soul. 

Na região, foram criadas travessias de pedestres, pontos para bicicletários e para viagens curtas durante o dia. Para facilitar a acessibilidade, também foi montada uma rede de ônibus circular, que atinge a área comercial. De acordo com o especialista, em qualquer intervenção construtiva, como essa, não se pode subestimar a visão da comunidade. Dessa interlocução, depende a aceitação dos projetos. 

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*CBCS

 

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