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Compositor Tavinho Moura publica livro com 150 imagens de espécies de pássaros que registrou na Pampulha

Paola Carvalho - VejaBH - 15/07/2013

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[box-leia]Sim, o homem camuflado de 65 anos, que de repente saía das moitas da Lagoa da Pampulha, com binóculo e máquina fotográfica a tiracolo, era mesmo o compositor Tavinho Moura, integrante do Clube da Esquina. Durante quatro anos, sua missão, encarada praticamente toda manhã, foi a de capturar a imagem de pássaros. "Sentia-me ridículo quando as pessoas me reconheciam", conta, sem economizar nas gargalhadas. O resultado do curioso hobby - além de dores no pescoço e algumas mordidas de carrapato - foi o registro de 150 espécies, reunidas no seu mais novo trabalho, o livro Pássaros Poemas - Aves na Pampulha.

Morador da região, ele foi motivado pela mulher e pelas duas filhas a fazer caminhadas na orla da lagoa. "Eu não tinha problema de saúde, mas elas estavam implicando com a minha barriga", lembra. Fã de aves e de seus piados desde criança, resolveu contar quantas espécies via em um único dia de exercícios. Somou quarenta. "Cheguei em casa, liguei para um amigo ornitólogo (profissional do ramo da biologia que estuda as aves) e ele disse que me emprestaria uma câmera", diz. O compositor se empolgou com a atividade e chegou a fazer mais de 200 registros. "Uma coisa é ver, outra é fazer uma boa foto: ora estou contra o sol, ora tem um graveto na frente, e, quando a gente arruma tudo, o passarinho voa."

Uma das aves mais difíceis de fo­­tografar foi o caneleiro-verde. "A primeira imagem ficou ruim, e perdi o sono pensando nele", recorda. Moura precisou levar um gravador e reproduzir o som da espécie para atraí-la. Flagrar a coruja-orelhuda também constituiu um desafio. "Como ela tem hábito noturno, eu vinha de táxi antes de o dia nascer e ficava esperando sua chegada." No quarto dia, já estava de olho em outro pássaro quando o taxista o chamou para avisar que o bichinho havia colocado a cabeça para fora da toca. O tempo só foi suficiente para dois cliques. No livro, algumas fotos são acompanhadas de poemas. Ele escreveu quase oitenta e recebeu a contribuição de colegas como Renato Teixeira, Almir Sater e Milton Nascimento.

Tavinho Moura, que veio de Juiz de Fora para Belo Horizonte ainda menino, aos 7 anos, apaixonou-se cedo pelo mundo da música. Aos 15, era frequentador assíduo do Edifício Maleta, no Centro, um ponto de encontro de artistas. "Ali fomos conhecendo uns aos outros", afirma. Sua carreira musical é marcada por premiadas trilhas sonoras para o cinema, catorze discos lançados e composições gravadas por Sérgio Reis e Zizi Possi, entre outros intérpretes. Hoje, porém, ele se divide entre dois trabalhos: o de músico e o de observador de pássaros. O próximo livro, planeja, será sobre as aves dos corredores das plantações de eucalipto do Vale do Aço.