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Cientistas descobrem cobra com quatro patas que viveu no Ceará há 120 milhões de anos

- VEJA.com - 27/07/2015

[img1] Um trio de cientistas descobriu uma cobra primitiva com quatro patas, que viveu no Ceará há 120 milhões de anos, e pode jogar luz na evolução da espécie. O fóssil do animal, encontrado na chapada do Araripe, região rica em vestígios pré-históricos, traz algumas evidências de que as cobras atuais descendem de um grupo de lagartos que habitava tocas subterrâneas. Suas patinhas teriam como principal função agarrar as presas ou segurar o par durante o acasalamento. A descoberta foi descrita na edição de quinta-feira (23) da revista Science.

Os autores do artigo, o britânico David Martill, o americano Nicholas Longrich e o alemão Helmut Tischlinger, batizaram a criatura de Tetrapodophis amplectus (em grego, "tetrapodophis" significa "serpente de quatro patas"). Ela teria 20 centímetros e caçava pequenos vertebrados para se alimentar. O fóssil mostra que a parte da frente da nova espécie estava todo enrolada, o que indica que ela envolvia o corpo ao redor das presas, como fazem as jiboias atuais. Ela teria 160 vértebras na coluna e 112 na cauda e apresentava muitas características das cobras modernas, como um corpo e crânio alongado, focinho curto e mandíbula flexível para engolir grandes presas.

A teoria predominante é que as serpentes evoluíram de uma linhagem de lagartos que foi reduzindo suas patas gradativamente, até perdê-las por completo (ao longo de muitas gerações). Há dúvidas, porém, se essa transição ocorreu no ambiente marinho ou no meio terrestre. Se o Tetrapodophis for mesmo uma cobra primitiva, suas características anatômicas sugerem que a transformação ocorreu em terra, o que seria um elemento-chave para compreender a evolução da espécie.

Fóssil brasileiro -
Apesar de o fóssil excepcionalmente bem preservado ter sido encontrado no Ceará, não há nenhum autor brasileiro no artigo. Essa discrepância levou a suspeitas de que o fóssil tenha sido retirado ilegalmente do país. A lei brasileira proíbe, desde 1942, a exploração e retirada de fósseis do território nacional por estrangeiros sem autorização do poder público.

Os autores do trabalho, da Inglaterra e da Alemanha, dizem que a peça estava "havia várias décadas" em uma coleção particular e que não há informações sobre onde, como, quando ou por quem ela foi coletada.
"Pode até ter acontecido como eles (os autores) dizem, mas é muito pouco provável. A maior probabilidade é que esse fóssil tenha saído há poucos anos do Brasil, de forma ilegal", avalia Max Langer, presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia e professor do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.

O autor principal da pesquisa, David Martill, afirma que viu o fóssil pela primeira vez três anos atrás, durante uma visita com seus alunos ao Museu Bürgermeister-Müller, em Solnhofen, na Alemanha. Segundo ele, a peça estava exposta como um "fóssil de vertebrado desconhecido".

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