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'O carro é o cigarro do futuro', diz Jaime Lerner

Mariana Desidério - Exame.com - 06/11/2014

[img1][box-leia]Considerado guru dos prefeitos e urbanistas por sua boa experiência na melhoria do transporte público de Curitiba, o arquiteto e ex-prefeito da cidade Jaime Lerner é categórico ao classificar o uso que as grandes cidades brasileiras fazem dos automóveis.

"Não há sociedade que se aguente usando o carro como usamos hoje. O carro é o cigarro do futuro", afirma.

Lerner, que também foi governador do Paraná, participou na quarta-feira (05/11) do EXAME Fórum Sustentabilidade e debateu o desafio do planejamento urbano.

Na avaliação do arquiteto, as iniciativas que estão sendo tomadas pela Prefeitura de São Paulo para priorizar o transporte público são louváveis, mas ainda insuficientes.

"Vejo que São Paulo deu um passo importante, mas não dá para achar que uma faixa pintada no chão vai resolver o problema", disse.

Lerner também critica o conceito dos corredores que vêm sendo implantados na cidade para aumentar a velocidade dos ônibus. "Essa visão de corredor é [insuficiente]. É preciso pensar em rede. Não é viável pensar no transporte de apenas duas vezes por dia", argumenta.

Além de melhorar a mobilidade, a prioridade para o transporte público pode ajudar a resolver o problema da moradia na capital paulista, de acordo com Lerner.

Segundo ele, o espaço hoje reservado para estacionamentos poderia servir para construir habitações populares. O que, segundo ele, reduziria os vazios do centro da cidade e melhoraria o acesso das pessoas aos seus locais de trabalho.

"São Paulo tem 5 milhões de carros. Cada um ocupa duas vagas, uma em casa e outra no trabalho, o que dá 50 m2. Esse é o tamanho de muitas moradias populares. Com esse espaço daria para resolver o problema de muita gente", afirma.

Com mais gente morando no centro, outros problemas seriam reduzidos, como a degradação dos bairros centrais da cidade, argumenta Lerner. "O que faz a vida na cidade é gente", afirma.

O arquiteto diz, no entanto, que a defesa do transporte público não elimina o uso do carro. "Estamos vivendo o fim de uma era do carro. Não é que não vai ter mais, mas ele será usado apenas para viagens, lazer. Para o dia a dia da cidade, a única alternativa é o bom transporte público, que funcione de forma integrada", conclui.

A EXPERIÊNCIA DE CAMPINAS E FORTALEZA

O prefeito de Campinas Jonas Donizette e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio Bezerra, também participaram do debate.

Donizette contou um pouco sobre as experiências em curso em sua cidade para melhoria da qualidade de vida e da eficiência municipal.

Um exemplo trazido foi o das experiências que o município está fazendo para tratar água de reúso para consumo humano. Segundo o prefeito, a ideia é que essa água possa ser usada em um ano.

Outra experiência destacada foi a coleta de lixo mecanizada. Donizette ressaltou, porém, que muitas vezes é preciso enfrentar a resistência da população, que em alguns casos não está disposta a mudar os hábitos.

Já Bezerra trouxe para o debate as dificuldades para convencer a população a deixar o carro e usar mais o transporte público ou a bicicleta como meio de transporte.

"Acredito que a população só vai usar a bicicleta, por exemplo, quando as ciclovias estiverem totalmente integradas com o transporte público", afirmou Bezerra.

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