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biocombustveis

Caminho das pedras

Elton Alisson - Agncia Fapesp - 31/08/2011

Atualmente, no existem barreiras tcnicas para a produo de biocombustveis. Mas ainda h muitas oportunidades para melhorar fundamentalmente os processos para fabric-los e diversific-los.

A avaliao de uma das principais referncias mundiais em pesquisas sobre biocombustveis, Chris Somerville, diretor do Instituto de Biocincias e Energia (EBI, na sigla em ingls) da Universidade da Califrnia em Berkeley, nos Estados Unidos.

O cientista participou da 1st BBEST Conferncia Brasileira de Cincia e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference). O evento, realizado em agosto em Campos do Jordo, reuniu cerca de 700 pesquisadores e representantes de empresas do Brasil e de 21 pases para discutir recentes avanos cientficos e tecnolgicos, negcios e polticas para o desenvolvimento do setor.

De acordo com Somerville, hoje os processos de produo de etanol de celulose, cana-de-acar ou de milho apresentam muitas ineficincias. Em funo disso, a produo eficiente de combustveis celulsicos por rotas diferentes da gaseificao exigir a inovao na produo sustentvel, na despolimerizao e na converso de matrias-primas em combustveis lquidos.

H muitas rotas diferentes para melhorar os processos para a produo de combustveis celulsicos. Porm, devido s interdependncias dos elementos no trajeto total do processo de converso da biomassa em combustveis, a pesquisa sobre processos aperfeioados de produo de biocombustveis ainda est em um estgio preliminar de maturidade tcnica, disse.

Entre os temas atuais de pesquisas realizadas para aprimorar o processamento de matrias-primas para a produo de biocombustveis o cientista listou a despolimerizao da lignina e sua converso em biocombustveis e o uso de celobiose em vez de glicose para a converso da xilose em etanol.

Como as plantas podem ser utilizadas em grande escala para capturar e armazenar energia solar, um dos caminhos para se mover em direo ao desenvolvimento de fontes de energia de baixo carbono converter sua biomassa em combustveis, disse.

Em funo disso, h um interesse renovado em identificar plantas que apresentem tima acumulao de biomassa e compreender as fases de produo, associadas com o cultivo em grande escala e a colheita sustentvel dessas espcies, disse.

PESQUISAS NOS ESTADOS UNIDOS
Segundo Somerville, nos Estados Unidos, desde quando entrou em vigor a lei que definiu a produo e uso de biocombustveis a Renewable Fuel Standard (RFS2), que integra o Ato de Segurana Energtica de 2007 (Energy Security and Independence Act of 2007) , a produo de biocombustveis tem se expandido rapidamente.

As novas regulamentaes estabelecem um consumo mnimo de 45 bilhes de litros de biocombustveis nos Estados Unidos a partir de 2010, chegando a pelo menos 136 bilhes de litros em 2022.

Dessa quantidade final, quase 80 bilhes de litros por ano devem ser destinados aos trs tipos de combustveis considerados avanados: celulsico, diesel de biomassa e outros avanados para cumprir os nveis de reduo de gases de efeito estufa estipulados pela Agncia de Proteo Ambiental (EPA, na sigla em ingls).

Para atingir a meta de produo de combustvel renovvel para 2022, o pas dever antecipar a construo de nove biorrefinarias para produo de etanol celulsico ou de outro biocombustvel a partir da biomassa lignocelulsica, que estavam previstas para comear a ser construdas somente a partir do ano que vem.

De acordo com Somerville, a primeira a entrar em operao ser a de Vercipia Biofuels, em Tampa, na Flrida, que comeou a ser construda em 2011 e dever iniciar a produo de etanol a partir de gramnea em 2013, quando produzir por volta de 36 milhes de gales por ano.

A biorrefinaria pertence companhia de energia British Petroleum (BP), que, em 2007, concedeu US$ 500 milhes por um perodo de mais de dez anos para iniciar as atividades do instituto de pesquisa em biocincias e energia que Somerville dirige.

O objetivo do EBI explorar a aplicao do conhecimento biolgico moderno para o setor de energia, desenvolvendo pesquisas em reas como a de combustveis celulsicos, microbiologia do petrleo, biolubrificantes e biossequestro de carbono, destacou.

Uma das matrias-primas mais promissoras estudadas pelo grupo de pesquisadores liderado pelo cientista norte-americano para produzir etanol celulsico uma grama nativa dos Estados Unidos, chamada de planta perene, que requer baixo investimento em insumos agrcolas e ajuda a capturar o carbono da atmosfera.

A 1st BBEST teve apoio da FAPESP, BIOEN-FAPESP, CNPq, Capes, CTBE, UNICA, Braskem, Embraer, BP Biofuels Brazil, Monsanto e Oxiteno.

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