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Cães soltos ameaçam áreas da Mata Atlântica

Thiago Medaglia - National Geographic Brasil - 05/08/201

Companheiros fiéis no ambiente doméstico, os cães podem representar uma ameaça à natureza. Em grande quantidade e vivendo soltos, eles são capazes de degradar áreas que deveriam estar intactas. 

Ao fazer uma pesquisa de campo, os biólogos Patrícia Torres e Paulo Inácio Prado, da USP (Universidade de São Paulo), constataram um número elevado de cães livres em remanescentes de Mata Atlântica nos arredores da cidade de São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo. A média impressiona: 6,2 animais por quilômetro quadrado, vivendo próximo ou mesmo no interior da floresta. 

No total, havia entre 92 e 102 animais nos dois trechos estudados, o suficiente para fazer dos cães os carnívoros mais abundantes na Mata Atlântica hoje. O problema é que, ao ultrapassarem pastos e plantações em direção à mata, eles caçam espécies selvagens e podem transmitir doenças. 

Esse tipo de situação já foi verificada em diversos lugares do Brasil. No Parque Nacional de Brasília, por exemplo, outra pesquisa estimou que, nos últimos vinte anos, a causa de mortalidade mais frequente da fauna nativa foi o ataque de cães.

No caso de São Luiz do Paraitinga, os biólogos constataram que grande parte dos cachorros tem dono. É que a população humana na área é predominantemente rural e poucas pessoas consideram importante não deixar os cães tão soltos. A etapa seguinte será chamar a atenção dos moradores para os prejuízos ambientais.

Leia também a reportagem sobre vira-latas da revista NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

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