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Brasileiros constroem escolas de bambu na Libéria

Nilbberth Silva - Casa.com - 28/06/2013

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[box-leia]Tudo começou com um imprevisto. O jornalista Vinícius Zanotti, de Campinas (SP), contraiu malária no último dia da sonhada viagem pela África, em 2010. Durante a convalescência em Monróvia, capital da Libéria, ele recebeu cuidados da família de Sabato Neufville, um funcionário da ONU que fazia milagres. Com os 800 dólares que recebia mensalmente da organização, Neufville cuidava de nove filhos adotados, financiava atividades artísticas em dois bairros e construiu uma escola para 300 crianças na comunidade de Fendell, na periferia da cidade.

A escola de Fendell surpreendeu Vinícius. Tinha paredes de bambu, chão de terra, adolescentes estudando com crianças no jardim de infância. Os professores ganhavam menos 20 dólares por mês, um quarto do salário mínimo na Libéria. "Se eu encontrar outro emprego, onde nossas crianças estarão amanhã?", diz um dos professores.

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Como as escolas públicas liberianas cobram mensalidade, estudar no prédio de bambu é quase um luxo para as crianças. Entre 1989 e 2003, o país foi devastado por duas guerras civis sucessivas, que deixaram cerca de 250 mil mortos. Milhares de crianças tornaram-se órfãs, são alvos de violência e algumas prostituem-se para sobreviver. A Libéria é o 14º país com menor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo: 0,388. Para comparar, o IDH do Brasil é 0,730.

Ao conhecer essa realidade, o jornalista encontrou uma causa para investir: "A gente tem que dar um jeito de tornar um pouco possível o sonho daquelas crianças", recorda-se Vinícius em um dos vídeos em que ele apresenta o projeto. "As crianças têm o direito de serem médicas, como querem, professoras, presidentes da república. Elas têm o direito de sonhar e receber educação apropriada para isso".

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CONHEÇA A HISTÓRIA DE SABATO NEUFVILLE



Enquanto se recuperava da malária, Vinícius gravou e finalizou com colegas o documentário Escola de Bambu, que já ganhou quatro prêmios em festivais pelo Brasil. Em 2011, começaram a arrecadar dinheiro para construir um prédio com condições básicas para o estudo. O arquiteto André Dal’Bó projetou o novo espaço.

A nova escola ainda seria de bambu, um material com o qual os liberianos estão acostumados a trabalhar. Mas dessa vez a gramínea foi usada como sistema estrutural. As paredes seriam feitas adobe. A escola também ganharia fossas sépticas e um gerador de energia construído com imãs de computadores quebrados e rodas de bicicleta.

CONHEÇA O PROJETO DA ESCOLA DE BAMBU



Depois de duas campanhas de financiamento online, a escola finalmente está sendo posta de pé. O documentário virou o Instituto Escola de Bambu, com mais de 30 voluntários envolvidos. A arrecadação ultrapassou o valor solicitado e agora Vinícius e seus amigos precisam de verbas para alimentar a equipe que constrói as escolas na Libéria e evitar que a equipe adoeça. Doenças, às vezes, trazem ótimos retornos. Mas bom mesmo é evitá-las.

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