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Brasil e Reino Unido avançam em pesquisas conjuntas sobre clima

Fernando Cunha - Agência Fapesp - 27/09/2013

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[box-leia]Pesquisadores brasileiros e britânicos têm sobrevoado a Amazônia desde setembro de 2012, usando equipamentos avançados para investigar como as queimadas na região alteram o clima local e de todo o planeta.

Eles participam do projeto Sambba - South American Biomass Burning Analysis, uma das iniciativas da Rede Brasil-Reino Unido de Investigação da Composição da Atmosfera da Amazônia apresentadas pelos professores Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP - Universidade de São Paulo, e Gordon McFiggans, da University of Manchester, no painel sobre mudanças climáticas da FAPESP Week London 2013.

“A Amazônia oferece uma oportunidade única de pesquisa e, do ponto de vista científico, é muito interessante tentar entender a complexa rede de interações entre clima, biologia, atmosfera, química, física, além de fatores socioeconômicos e aspectos da biodiversidade”, disse Artaxo.

Durante a sessão, foram apresentados vários projetos conjuntos desenvolvidos por pesquisadores do Reino Unido e do Brasil com foco nos fenômenos resultantes da relação biosfera-atmosfera na Amazônia.

O painel também teve a participação dos pesquisadores Luciana Gatti, do Ipen - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, associado à USP, e Hartmut Boesch, da Universidade de Leicester, no Reino Unido.

Os participantes do Sambba usam os equipamentos avançados para coletar dados sobre a composição química e as propriedades físicas da fumaça emitida nas queimadas.

Eles também investigam como as partículas sólidas e os gases lançados na atmosfera em decorrência do fogo e do metabolismo da vegetação modificam a composição das nuvens, alteram a química da atmosfera e interagem com a radiação solar.

O Sambba é desenvolvido por meio de parceria entre a USP, o Inpe, a University of Manchester e o serviço meteorológico britânico (UK-Met-Office). O projeto tem apoio da FAPESP e do Nerc - Natural Environment Research Council, um dos sete conselhos de pesquisa do Reino Unido, que financiou parte do custo de um avião usado em sobrevoos na Amazônia.

A cooperação com pesquisadores da University of Manchester estabelece uma rede de estudos sobre os ciclos de aerossóis e a formação de nuvens. O efeito da queima de biomassa, das precipitações e as relações entre radiação também estão entre os tópicos focados pela rede.

Outras vertentes de estudos que interessam à rede são a expansão da agricultura, as mudanças climáticas e processos que podem provocar perda de biodiversidade e afetar o funcionamento de ecossistemas, disse Artaxo.

“A colaboração que mantemos há muitos anos com pesquisadores brasileiros tem sido bastante produtiva, mas a estrutura dos acordos, agora mais numerosos com o Reino Unido, nos permite atividades únicas para aumentar o conhecimento sobre os recursos ambientais no Brasil e aproveitar ainda mais a capacidade de pesquisa de cientistas brasileiros e britânicos em projetos conjuntos”, disse McFiggans.

Para saber mais, leia no site da Agência Fapesp.