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Brasil é modelo de agricultura sem desmatamento

Marina Franco - Planeta Sustentável - 08/06/2011

Foi divulgado hoje, durante reunião de países desenvolvidos e em desenvolvimento em Bonn, na Alemanha, um estudo que aponta o Brasil como referência para a intensificação da agricultura aliada a uma redução de desmatamento. A análise do potencial brasileiro foi feita pelo CCAFS - Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar do Grupo Consultivo em Pesquisa Agrícola Internacional, em parceria com a consultoria Lexema, baseada no Canadá.

Foram analisados vinte países, da África, Ásia e América Latina, que apresentaram projetos de REDD+ - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação ao FCPF - Carbon Partnership Facility, fundo para a redução de emissões do Banco Mundial. De acordo com o estudo, a maioria dos países que se esforça para reduzir as emissões de gases do efeito estufa cita a agricultura como a principal causa de desmatamento. No entanto, poucos fornecem detalhes sobre como eles fazem a ligação entre agricultura e a silvicultura.

O histórico brasileiro mostra que, nos últimos seis anos, os indicativos de desmatamento diminuíram enquanto o país se tornou uma potência agrícola global usando apenas 6% de sua área arável. As causas para o bom resultado, segundo o relatório, foram:
- fortes comprometimentos entre setores;
- melhor monitoramento;
- incentivos financeiros;
- esforço de desenvolvimento coordenado que enfatiza melhoria do uso do solo e variedades de culturas de bom desempenho.

O estudo cita o plano de REDD+ do Acre, que engloba todos os tipos e usos de terra, incluindo a utilização agrícola que impacta as florestas do estado. O plano seria um modelo sobre como integrar estratégias de REDD+ com metas de produção agrícola.

Durante um evento paralelo à reunião em Bonn, organizado pelo CCAFS e a FAO- Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, os participantes notaram que os desafios do processo de REDD+ que o mundo desenvolvido enfrenta têm a ver com uma grande negligência de problemas fundamentais relacionados a segurança alimentar e governança florestal.

O encontro de Bonn discute a criação de um acordo global do clima e antecede a COP17, Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, que será realizada entre novembro e dezembro em Durban, na África do Sul.

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