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Brasil fica em 35º lugar no Índice de Saúde dos Oceanos

Guilherme Rosa - Veja.com - 17/08/2012

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature mostrou que a saúde dos oceanos do planeta está em risco. Os pesquisadores desenvolveram o Índice de Saúde dos Oceanos, que mediu a qualidade do mar em 171 países. A média global foi de 60 pontos em uma escala de 100, com os países mais desenvolvidos apresentando os melhores resultados. O Brasil ficou em 35º lugar.

O índice foi desenvolvido por 30 pesquisadores de vários institutos, como a Universidade da Califórnia, a Universidade da Columbia Britânica e a Conservação Internacional. Ele mede a saúde do oceano levando em conta tantos as dimensões ambientais quanto sua utilização econômica e social. Segundo os cientistas, o índice considera os seres humanos parte do ecossistema e, por isso, mede o quanto conseguimos aproveitar dos recursos marinhos. "Não estamos buscando locais intocados, mas sim interações sustentáveis com o oceano", diz Ben Halpern, pesquisador da Universidade da Califórnia que participou do estudo.

O índice é organizado em torno de 10 fatores que medem o uso que os habitantes de determinados países fazem dos recursos e serviços oferecidos pelo mar. São analisados dados como a limpeza das águas, pesca artesanal, utilização turística e até fatores subjetivos como a identificação dos habitantes com sua área costeira.

Os resultados são preocupantes. Somente 5% dos países marcaram mais do que 70 pontos, enquanto 32% não atingiram 50. "Os números geram apreensão, mas também trazem esperança. Pode não parecer, mas a situação poderia ser pior. Sabemos disso porque conseguimos ver que alguns países conseguem ter sucesso", diz afirma Ben Halpern. 

LISTA
A pontuação variou muito entre os diversos países. A nação que tem o oceano em pior estado é Serra Leoa, que conseguiu apenas 36 pontos no índice. O local mais bem pontuado foi a Ilha Jarvis, um território desabitado no Sul do Pacífico pertencente aos Estados Unidos, que atingiu 86 pontos.

Se não forem levados em conta os locais com pequena população, como a Ilha Jarvis, a lista é liderada pelos países desenvolvidos, que, apesar da grande população, conseguem explorar os recursos do mar de maneira sustentável. É o caso da Alemanha, Holanda e Canadá, que fizeram respectivamente 73, 71 e 70 pontos. Os países do oeste da África tiveram a mais baixa pontuação, sugerindo uma relação entre Índice de Desenvolvimento Humano e a saúde dos oceanos. "Os países mais desenvolvidos dispõem dos recursos necessários para investir na manutenção do oceano", diz Halpern.

O Brasil aparece na 35ª colocação, com 62 pontos. No país, os fatores que mais se destacaram foram a identidade local (preservação de espécies nativas e criação de áreas de proteção), provisão de alimentos (de maneira sustentável), armazenamento de carbono e proteção costeira. No entanto, nosso resultado é muito pior que a média na subsistência e turismo.

Os organizadores esperam que o índice seja usado pelos governos para melhorar a qualidade do mar, uma vez que fornece dados concretos para avaliar sua evolução, sem esquecer o aproveitamento econômico de seus recursos. "Ainda há muito espaço para melhorar. Agora temos um referencial para saber como estamos e onde precisamos avançar", diz. 

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