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barbatana azul

Atum ameaçado é vendido a R$ 166 mil. Quanto custará o último?

Vanessa Barbosa - Exame.com - 07/01/2014

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[box-leia]Espécie de peixe mais apreciada no mundo para o preparo de sushi, um atum de barbatana azul de 230 kg foi leiloado por 7.36 milhões de ienes (cerca de 166 mil reais) no sábado, durante o primeiro leilão do ano do mercado de peixes de grande porte de Tsukiji, em Tóquio, no Japão. O peixe foi arrematado por Kiyoshi Kimura, presidente da empresa Sushi-Zanmai, uma popular cadeia de restaurante do país. Uma única fatia de sashimi de atum-azul pode custar mais de 20 dólares.

No ano passado, o empresário desembolsou o equivalente a dois milhões de reais para ganhar o primeiro leilão de atum de 2013 no mercado japonês. Apesar do preço pago no leilão deste fim de semana ter sido "menor", ele não pode ser utilizado como referência para o estado de conservação da espécie.

À medida que o costume de comer peixe cru se espalha, também aumentam os temores de que o atum de barbatana azul possa estar com seus dias contados — a espécie já integra a lista de animais ameaçados de extinção.

A situação do atum do Pacifico recebeu atenção quando o Comitê Científico Internacional, um grupo independente de cientistas do governo de países como Estados Unidos e Japão, divulgou uma avaliação da população da espécie em 2013.

O relatório revelou que décadas de sobrepesca e má gestão resultaram em uma redução de 96,4 por cento da população do atum rabilho do Pacífico desde o século 19. No entanto, os governos responsáveis pela gestão destas pescarias não adotaram medidas de conservação adequadas. Ainda não existe, por exemplo, um limite de capturas no Oceano Pacífico ocidental, onde a maioria dos atuns rabilho do Pacífico são encontrados.

O estudo revelou, ainda, que mais de 90 por cento do atum é capturado antes de atingir a idade reprodutiva. Atualmente, o Japão consome cerca de 80% de todo o atum azul pescado no mundo e tem sido acusado de sufocar as tentativas internacionais para reduzir drasticamente as quotas de pesca ou de proibir o comércio.