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Arquitetos criam cidade de insetos para alimentar suecos

Vanessa Barbosa - EXAME.com - 17/06/2014

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[box-leia]Em 2050, seremos nove bilhões de pessoas no mundo. Como alimentar de forma sustentável e eficiente todos os habitantes sem sobrecarregar o meio ambiente? Para muitos, comer insetos pode parecer um hábito exótico. Mas, um estudo recente da ONU apontou a entomofagia, a dieta a base desses bichinhos ricos em proteína, como alternativa à produção de carne, que demanda grande quantidade de terra e outros recursos.

Pensando nisso, o escritório de arquitetura sueco Belatchew Labs projetou o InsectCity, um edifício de criação de grilos para Estocolmo se tornar autossuficiente em proteínas. São três andares com 10.350 m² de cultivo, envoltos por uma estrutura inspirada em um exoesqueleto.

No piso térreo, há um restaurante onde os insetos são preparados e vendidos. O objetivo é fazer com que a produção seja exposta ao público e convide à observação e conhecimento sobre as origens dos alimentos.

O processo começa com a multiplicação dos grilos. Primeiro, as fêmeas depositam seus ovos no solo, que ficam por lá durante 10 dias a uma temperatura média de 34 ºC, até que choquem.

Em seguida, os grilos passam para uma fase de crescimento, onde são alimentados e cuidados ao longo de seis semanas. Quando eles estão grandes o suficiente, eles começam a migrar em direção às partes superiores mais quentes do prédio.

Durante a subida, há uma seleção: aqueles que são demasiado pequenos retornam à fase de crescimento; os de tamanho adequado vão para o restaurante ou são embalados para venda; e aqueles que tornaram-se demasiado grandes para consumo humano podem ser pais, fecundando as fêmeas a fim de gerar prole maior. Todo o processo leva cerca de 45 dias.

Outro aspecto bacana do projeto envolve espécies ameaçadas de extinção, como abelhas, que desempenham um papel extremamente importante na produção de dieta vegetariana por meio de sua polinização. Das cerca de 300 espécies de abelhas, 98 estão em perigo e 15 já estão extintas.

Monocultura e uso de pesticidas e falta de habitações são as principais razões para o declínio dramático na população. Para inverter esta tendência negativa, o InsectCity mantém moradas de vários tamanhos para atrair várias espécies de abelhas, que por sua vez levam a uma maior diversidade de flores e outros tipos de vegetação.

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