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Francis Murray Pescado é a fonte de proteína animal mais sustentável
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Pescado é a fonte de proteína animal mais sustentável

Débora Spitzcovsky - Planeta Sustentável - 20/06/2011

A melhor forma de produzir proteína animal, do ponto de vista ambiental, é a partir da aquicultura - ou seja, do cultivo de pescados em viveiro. Pelo menos, essa é a conclusão do relatório Blue Frontiers: Managing the environmental costs of aquaculture (Fronteiras azuis: gerenciando os custos ambientais da aquicultura, em português), publicado pela ONG CI - Conservação Internacional, em parceria com a organização The WorldFish Center

O estudo apontou que, em comparação aos outros sistemas de produção de proteína animal - como, por exemplo, a criação de gados bovino e suíno -, a aquicultura é a que causa menos danos ao meio ambiente. Isso porque, segundo o relatório, os produtos da aquicultura emitem menos nitrogênio e fósforo durante o processo de produção, reduzindo sua contribuição para as mudanças climáticas, por quilo de alimento produzido. 

O documento - que também levou em conta aspectos como acidificação, demanda energética e ocupação de terra - ainda concluiu que a aquicultura é o sistema de produção alimentar mais eficiente, já que, em comparação com a carne suína e bovina, o percentual de proteína consumível do pescado é muito maior, o que resulta em menos desperdício de alimento

No entanto, o estudo chama a atenção para o fato de que, apesar de ser uma excelente alternativa para a produção mundial de alimentos, a aquicultura precisa de grandes investimentos em pesquisa e inovação para que seja feita de forma sustentável, sem ameaçar a biodiversidade dos ambientes costeiros e de água doce. 

Isso porque, segundo a FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a aquicultura é um dos setores de produção alimentar que mais cresce atualmente - cerca de 8,4% ao ano -, o que fez com que a indústria se estabelecesse de forma desorganizada e, consequentemente, insustentável em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, a produção de camarões em cativeiro aumentou 60 vezes em pouco mais de 10 anos, gerando uma ocupação irregular nas áreas de manguezal e, consequentemente, prejudicando a vida marinha que habita o ecossistema. 

Segundo o relatório, para evitar esse tipo de impacto - que pode se tornar ainda maior, uma vez que o ritmo de crescimento do setor não diminuirá, pelo menos, até 2030 -, são necessárias algumas medidas, tanto dos governos quanto dos profissionais da indústria de aquicultura. Entre elas:
- apoio à inovação;
- criação de marco regulatório para a indústria, que contemple os aspectos ambientais e
- monitoramento constante das atividades do setor. 

Veja o relatório Blue Frontiers: Managing the environmental costs of aquaculture, na íntegra, em inglês.

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