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Amazônia nos últimos 20 milhões de anos

Frances Jones - Agência Fapesp - 28/02/2013



[box-leia]O que aconteceu na Amazônia nos últimos 20 milhões de anos? Como era o ambiente e quais os organismos povoaram a região durante esse período? Qual é a explicação para tamanha biodiversidade encontrada hoje ali? Para responder essas e outras questões, pesquisadores brasileiros e estrangeiros trabalharam durante cinco anos em um Projeto Temático apoiado pela Fapesp* e pela National Science Foundation (NSF)* no âmbito de um acordo que prevê o desenvolvimento de atividades de cooperação entre os programas Dimensions of Biodiversity (NSF) e BIOTA (Fapesp).

Os resultados do projeto – aprovado em setembro de 2012 – serão revelados pelos pesquisadores (especialistas de áreas diversas, de várias partes do Brasil, Estados Unidos, Europa, Canadá e Argentina) em simpósio na Fapesp, em São Paulo, entre 04 e 08/03. Eles apresentarão a história da biota e do ambiente amazônicos e traçar um panorama sobre a origem da biodiversidade local.

O primeiro dia da reunião será aberto ao público e terá a forma de um simpósio, durante o qual membros da equipe do projeto apresentarão suas linhas de pesquisa e planos de trabalho para os próximos cinco anos.

As apresentações visam informar a comunidade científica e os próprios membros da equipe do projeto sobre os detalhes da linha de pesquisa de cada participante do projeto, a fim de estimular parcerias entre os integrantes da proposta e incentivar novas colaborações com a comunidade científica brasileira.

“O grande desafio de trabalhos amplos como este é fazer com que os pesquisadores pensem no projeto como um todo e se preocupem com ele como um esforço conjunto e não só com o módulo de pesquisa que cada um lidera individualmente”, disse Lúcia Garcez Lohmann, professora no Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP)*. Ela é a pesquisadora principal da empreitada do lado brasileiro, enquanto Joel Cracraft, do Museu de História Natural*, é o pesquisador principal do lado americano.

“Temos uma equipe muito diversa, incluindo pesquisadores que trabalham com botânica, zoologia, geologia, paleontologia, sensoriamento remoto e ciclagem biogeoquímica”, afirmou ela.
“Queremos aproveitar essa oportunidade para que todos se conheçam pessoalmente e comecem a explorar possibilidades para integração e colaboração. Além disso, como o projeto ainda está no começo, será uma oportunidade para que pesquisadores com interesses similares aos nossos aprendam mais sobre a proposta e se juntem a nós”, disse Lohmann.

EVOLUÇÃO DA BIOTA

Os pesquisadores envolvidos no Projeto Temático tentarão entender a origem, a estruturação e a evolução dos organismos que povoam e povoaram a Amazônia a partir de quatro grandes grupos: plantas, primatas, borboletas e aves.

“Em uma primeira etapa, estudaremos a história evolutiva desses organismos e caracterizaremos o ambiente amazônico, incluindo informações sobre a história geológica e ciclos biogeoquímicos”, disse a pesquisadora, especialista em sistemática de plantas, que estuda o parentesco e a história evolutiva de representantes da família Bignoniaceae, da qual fazem parte os ipês, os jacarandás e diversas espécies de cipós que compõem as florestas tropicais.

Na segunda etapa do projeto, esses dados serão integrados de forma a reconstruir a história passada da Amazônia nos últimos milhões de anos.

“Um dos aspectos inovadores é a união de dados de naturezas diferentes – taxonômicos, genéticos, ecológicos, geológicos, paleontológicos, entre outros – em uma proposta de trabalho muito integrada”, disse.

Dentro dos grupos-modelo, os pesquisadores pretendem reconstruir a filogenia, ou seja, “árvores evolutivas” desses grupos, bem como realizar estudos ao nível populacional de organismos selecionados.

“Como ainda sabemos muito pouco sobre a biodiversidade amazônica, tivemos que selecionar grupos-modelo, pois seria absolutamente inviável estudar toda a biota amazônica durante o período de vigência deste projeto”, afirmou Lohmann, que também é presidente da Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC) e pesquisadora associada dos jardins botânicos de Nova York e do Missouri.

Dividido em três partes (documentação da biota, descrição do ambiente e reconstrução da história da biota), o simpósio buscará integrar os pesquisadores das diferentes áreas, que usarão técnicas e tecnologias distintas.

“Caracterizar a composição da biota e o ambiente atual da Amazônia já é uma tarefa bastante árdua. Mais complicado ainda é caracterizar esses aspectos ao longo dos últimos 20 milhões de anos. Para isso, usaremos metodologias diferentes e muita modelagem”, afirmou Lohmann.

A PORTAS FECHADAS

No restante da semana, segundo Lohmann, as reuniões fechadas ao público definirão, em detalhes, como a equipe do projeto dará andamento ao Projeto Temático – por exemplo, como será feita a integração e armazenagem dos dados, quais serão os produtos específicos e publicações.
“Como estamos trabalhando com pesquisadores com linhas de pesquisas variadas, que ainda por cima estão distribuídos em diferentes partes do planeta, precisamos que a equipe inteira se integre para que possamos gerar os produtos esperados desse projeto.”

Mais informações e programação no site da Fapesp.

*Fapesp
*National Science Foundation
*Universidade de São Paulo
*Museu de História Natural

 

Foto: CIFOR / Creative Commons