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Acre sedia discussão de padrões para o manejo florestal

Redação - Agência de Notícias do Acre - 23/08/2011

Discutir os rumos do manejo florestal e os padrões que manejadores do mundo inteiro devem seguir. Este é o objetivo do grupo de pesquisadores, secretários de Estado e atores envolvidos com o tema reunidos no 2º Encontro Internacional de Especialistas em Manejo Florestal Sustentável. A abertura do evento aconteceu na noite desta segunda-feira, no auditório da Biblioteca da Floresta, em Rio Branco.

O senador Jorge Viana, engenheiro florestal, ex-governador do Acre e precursor da política ambiental acreana que hoje é reconhecida no mundo todo, participa do evento. O 2º Encontro Internacional de Especialistas em Manejo é organizado pelo Governo do Estado, através da Fundação de Tecnologia (Funtac) e da Secretaria de Estado de Floresta (SEF), em parceria com a organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO).

O evento marca também a comemoração Ano Internacional da Floresta e do 25º aniversário da fundação do ITTO, organização parceira do Governo do Estado desde 1989 na execução de projetos de desenvolvimento sustentável.

"A diferença entre a primeira etapa desta parceria com o ITTO e a segunda é que agora temos toda uma base de infraestrutura disponível que é a estrada do Pacífico, a criação de florestas estaduais que servem também para o manejo, o curso de engenharia florestal, a guinada que a Embrapa deu. É um momento oportuno para o Brasil e para o Acre e o mais importante é que esta parceria avança e temos condições para contribuir com o desenvolvimento técnico e científico", disse o senador Jorge Viana.

De acordo com Eduardo Mansour, diretor-assistente do ITTO, é preciso definir novas diretrizes para o manejo sustentável das florestas tropicais naturais. "Há vinte anos, quando os padrões atuais foram definidos, algumas discussões que hoje são preponderantes não eram tão fortes. É o caso das mudanças climáticas e do crédito de carbono, por exemplo". É importante que haja um padrão a ser seguido para que se possa acessar os mecanismos de financiamento do instituto.

"Esta reunião acontece no Acre porque aqui o trabalho que é feito é, de fato, uma referência para todos nós. O Acre conseguiu imprimir um modelo de desenvolvimento sustentável que é um exemplo para todos porque seguiu padrões criteriosos, de respeito à floresta, às populações tradicionais", comentou.

O manejo florestal comunitário e empresarial avançou muito nos últimos anos. "A castanha e a madeira são os nossos principais produtos de exportação, mas temos muito o que explorar, e os créditos de carbono, quando as famílias que moram na floresta vão receber para preservá-la, é mais uma forma de gerar renda", disse Luiz Augusto, diretor presidente da Funtac.

"O ITTO precisa do Acre porque aqui temos um exemplo de sucesso"

A parceria entre o Governo do Estado e o ITTO é firmada ao longo de 22 anos. Para o ex-diretor do ITTO, Manoel Sobral Filho, hoje os papéis se inverteram e não é mais o Acre que precisa do instituto, e sim o contrário. "Nós precisamos hoje do sucesso do Acre porque ele nos traz uma importância muito grande, de promoção do desenvolvimento sustentável que é uma referência mundial", disse. Sobral falou sobre o tempo de espera para o retorno dos investimentos, que não são imediatos. "Faz parte de um processo que não se encerra tão rápido, mas é preciso ter paciência porque esse retorno vai chegar. Temos a obrigação de transmitir esse sentimento à população do Acre, que está na vanguarda e não é agora que vamos esmorecer. Todos vão ver os benefícios, principalmente as populações que moram na floresta, os indígenas, ribeirinhos. Nada do que está sendo feito é em vão", disse.

Nesta terça-feira, 23, os trabalhos continuam na Floresta Estadual do Antimary, um verdadeiro laboratório a céu aberto onde são desenvolvidas diversas experiências da Funtac. Cinquenta famílias que moram na área recebem a Bolsa Floresta, no valor de R$ 880,90 para ajudar na conservação da floresta, praticando o manejo sustentável, segundo o secretário de Florestas, João Paulo Mastrângelo. "Essa é apenas uma pequena amostra de como as comunidades podem ter renda a partir da floresta", acrescentou.

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