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5 sinais inquietantes de um mundo em aquecimento

Vanessa Barbosa - Exame.com - 22/07/2014

[img1][box-leia]Glaciares em declínio, concentração recorde de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, temperaturas extremas, marés ameaçadoras, um tufão furioso chamado Haiyan... Os eventos climáticos de 2013 refletem o que os cientistas, há décadas, têm observado: o nosso planeta está se tornando um lugar mais quente.

É o que mostra o mais novo relatório da Sociedade Meteorológica Americana e da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). Compilado por 425 cientistas de 57 países e divulgado anualmente, o estudo Estado do Clima de 2013 traz informações atualizadas sobre os indicadores globais relacionados às mudanças climáticas.

Conheça a seguir cinco importantes sinais que confirmam a tendência de aquecimento global no longo prazo.

EMISSÕES NAS ALTURAS
Os gases de efeito estufa (GEE) continuaram a subir no ano passado. No Observatório Mauna Loa, no Havaí, a concentração diária de CO2, o GEE mais importante, ultrapassou 400 ppm em 9 de maio, pela primeira vez, desde que as medições começaram no local, em 1958.

Em média, a concentração anual de CO2 em 2013 situou-se em 395,3 ppm, um aumento de 27% em relação aos níveis pré-industriais. Os cientistas esperam que a média global anual irá alcançar o limite de 400 ppm dentro de alguns anos.

Por que isso é importante?
A cada ano, as atividades humanas produzem mais CO2 do que os processos naturais podem absorver. Isso significa que o valor líquido de dióxido de carbono atmosférico nunca diminui. Assim, o acúmulo anual do gás segue subindo a medida que população mundial queima mais e mais combustíveis fósseis.

CALOR, MUITO CALOR
O ano de 2013 ficou entre os dez anos mais quentes desde que os registros modernos começaram, em 1850. A temperatura média da superfície global ficou cerca de 0,50° C acima da média de 1961-1990, e 0,03°C a cima da média registrada entre 2001 e 2010.

Em apenas 15 segundos, este vídeo da NASA mostra o aquecimento da Terra entre 1950 e 2013.



Por que isso importa?
A temperatura da superfície é uma das variáveis de tempo e clima mais familiares e consistentemente medidas pelo cientistas - e tem conexão direta com as mudanças climáticas a longo prazo. Não podemos esquecer que, de todos os planetas, a Terra tem uma temperatura de superfície amigável à vida.

Essa característica resulta do equilíbrio entre a entrada de luz solar e a saída de energia térmica, o calor irradiado de volta para o espaço por todas as partes do ecossistema planetário, dos solos para os oceanos, para nuvens e, especialmente, pelos gases na atmosfera.

A triste constatação: a tendência de aquecimento de longo prazo da Terra mostra que o equilíbrio foi alterado.

A MARÉ CONTINUA SUBINDO
O nível médio do mar continuou a subir em 2013, seguindo o ritmo de elevação de 3,2 mm por ano registrado ao longo das últimas duas décadas. Parte do aumento é devido ao derretimento das geleiras e outra parte é devido ao aumento da temperatura da água, que se expande quando fica mais quente.

Além disso, cerca de 15% da tendência de alta do nível do mar ao longo das últimas duas décadas tem sido atribuída à variabilidade natural.

Por que isso é importante?
A elevação do nível do mar é uma ameaça direta às populações costeiras em todo o mundo e já coloca em xeque a existência de micropaíses, como as Maldivas e Kiribati.

Globalmente, 8 das 10 maiores cidades do mundo também estão perto de uma costa, segundo o Atlas dos Oceanos da ONU.

Em se tratando do mundo natural, o aumento do nível do mar revela-se um elemento “estressor” sobre os ecossistemas costeiros que proporcionam proteção contra tempestades e habitat para peixes e outros animais.

ÁRTICO MAIS QUENTE (E COM MENOS GELO)
O Ártico registrou seu sétimo ano mais quente desde que os registros começaram no início do século 20. Temperaturas recordes foram medidas a uma profundidade de 20 metros em estações de permafrost no Alasca.

Outro agravante: a extensão do gelo do mar na região foi a sexta mais baixa desde que as observações de satélite começaram, em 1979. Todos as sete menores extensões de gelo marinho registrados por lá ocorreram nos últimos sete anos.

Por que isso é importante?
A extensão do gelo do mar do Ártico desempenha um papel crítico no sistema climático do planeta. Fisicamente, sua superfície branca reflete até 80 por cento da luz solar recebida durante os longos dias de verão no hemisfério norte, exercendo uma influência de resfriamento sobre o clima. Além disso, os ursos polares, morsas, baleias e outros animais dependem do gelo marinho para sobreviver.

Menos gelo também significa mais transporte pelo Ártico e exploração (principalmente de petróleo), com grandes implicações para a economia mundial e a segurança climática.

Vídeo do NOOA mostra 26 anos de degelo em um minuto:



GLACIARES EM DECLÍNIO
Segundo os cientistas, outro sinal claro de que o clima está aquecendo a longo prazo é a retração das geleiras montanhosas no mundo. Dados dos 30 glaciares monitorados historicamente, considerados "geleiras de referência", ainda estão sendo analisados, mas com base nas análises sobre a Áustria, Canadá, Nepal, Nova Zelândia, Noruega e Estados Unidos, é muito provável que 2013 será o 24º ano com retração do gelo a abaixo da média histórica, prevê o estudo.

Por que isso é importante?
Em todo o mundo, cerca de 370 milhões de pessoas vivem em bacias cujo volume dos rios dependem do derretimento das geleiras. O processo fornece água potável para as populações e fonte para a irrigação agrícola. Noutras regiões, as barragens em rios alimentados por geleiras servem como principais fontes de energia hidrelétrica.

VENTOS FURIOSOS
O número de ciclones tropicais durante 2013 superou, ligeiramente, a média, com um total de 94 tempestades, em comparação com a média de 89, registrada entre 1981 e 2010. A Bacia do Atlântico Norte teve sua temporada mais tranquila desde 1994. No entanto, na Bacia Ocidental do Pacífico Norte, houve fenômenos destrutivos, como o Tufão Hayan.

Por que isso é importante?
Tempestades violentas causam perdas de vidas e podem atrasar o desenvolvimento econômico e social por anos, se não décadas. Tempestades e inundações foram responsáveis por 79% do número total de desastres nas últimas quatro décadas, causando 55% das mortes e 86% de perdas econômicas no período, de acordo com o Atlas de Mortalidade e Perdas Econômicas ligadas a extremos do clima, da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

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